Super-Quarta: expectativas e impactos
FOMC + COPOM
Fala pessoal,
Hoje temos mais uma super-quarta no ano — aquele dia em que os bancos centrais dos Estados Unidos (FED) e do Brasil (COPOM) decidem os rumos das políticas monetárias, definindo as suas taxas de juros básica - selic e fedfunds.
Desde 2020, das 44 reuniões que o nosso COPOM teve, 22 delas foram junto com o FOMC.
Falei um pouco sobre as minhas expectativas aqui, mas sendo direto e reto:
COPOM: acredito na manutenção da Selic em 15%, com o colegiado votando de forma unânime. Ainda temos muito ruído no externo e isso vem pesando a decisão do comitê nas últimas reuniões. No doméstico, apesar de uma leve redução do focus para inflação, nada mudou.
FOMC: acredito na manutenção do fedfunds em 4,25%-4,50%, mas sem ser de forma unânime. Votantes que foram colocados pelo Trump vêm fazendo discursos fortes em relação a queda do juros e devem ir a favor do corte de juros por lá. A decisão pode jogar mais gasolina ainda na relação Trump-Powell.
Quase 97% do mercado espera pela manutenção da taxa para essa reunião:
Como a Super Quarta mexe com a economia?
Toda vez que chega a Super Quarta o mercado prende a respiração. E não é à toa: essas decisões têm efeitos diretos sobre o câmbio, o crédito, a inflação e até o humor da economia.
Com as economias altamente interligadas, uma decisão lá fora impacta fortemente nossa economia por aqui. Por exemplo, se o Fed decide subir os juros por lá, o dólar se valoriza no mundo e assim o Real costuma enfraquecer, já que o dinheiro corre para onde rende mais com segurança.
No bolso do consumidor, os reflexos também são rápidos. Juros mais altos encarecem o crédito, o que desestimula compras parceladas, empréstimos e até investimentos — um verdadeiro balde de água fria na economia. Já juros mais baixos fazem o crédito fluir e incentivam o consumo, dando uma animada no comércio e na produção.
Quando o assunto é inflação, o juro é a principal ferramenta de controle. Ao encarecer o dinheiro, o Banco Central desaquece a demanda e ajuda a colocar freio na alta dos preços — sempre buscando aquele equilíbrio delicado entre crescimento e estabilidade.
Não é apenas o número que importa
A forma como essas decisões são comunicadas também importa — e muito!
Um tom mais otimista ou cauteloso pode mudar a confiança de investidores, empresários e consumidores, afetando decisões sobre contratar, investir ou simplesmente comprar uma geladeira nova.
Essas foram as decisões das últimas Super-Quartas:
E aqui temos um resumo sobre o heatmap Hawk-Dove em relação às últimas reuniões:
No fim das contas, a Super Quarta funciona como um grande ajuste de expectativas. O que os bancos centrais decidem (e como explicam isso) influencia toda a engrenagem da economia, do câmbio à inflação, do crédito à confiança.
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