Ray Dalio e as bolhas
Papel das agências de ratings| Recompras Insiders | Google
Fala pessoal, bora pro pregão?
De patinho feio à queridinha.
Recentemente, Wall Street parece bem convencida de que a Alphabet ganhou tração séria contra seus colegas do Magnificent 7 e o resto da galera da IA. Enquanto as Big Tech passaram boa parte do ano andando de mãos dadas, a Alphabet resolveu pegar a faixa da esquerda em setembro e acelerar. O resultado? Um retorno de quase 82%, deixando até a Nvidia meio sem graça com seus modestos 27% no mesmo período.
Nas últimas semanas, enquanto o setor de tecnologia tomava pancada por todos os lados, a Alphabet continuou indo: subiu praticamente o mesmo tanto que a Meta perdeu desde 23 de outubro. Praticamente todas as mag-7 negativas e Google brilhando, chegando a US$ 3,62 trilhões de valor de mercado.
Um dos motivos foi que o mercado enxergou que o Google consegue monetizar IA agora e não apenas no futuro: distribuindo features direto no Search, nos anúncios, no YouTube, no Google Docs. Claro que a ajudinha do nosso Oráculo de Omaha também ajudou, com a Berkshire Hathaway decidindo comprar ações da Alphabet neste trimestre.
Com a performance recente, o sinal que Wall Street está dando é basicamente dizendo que a Alphabet não só lidera a corrida da IA hoje, como também tem o mapa para ser o player do futuro.
Recompras
O pior mês desde abril (mês da libertação), e o pior novembro desde a crise do subprime em 2008, fez um tipo de investidor levantar a mão e falar “calma, gente, eu compro”: os insiders corporativos.
Sim, aqueles executivos que conhecem a empresa por dentro, desde o orçamento até o café da copa, estão comprando ações das próprias companhias no ritmo mais rápido desde maio. Com o medo de bolha em IA empurrando investidores para setores defensivos, o mercado virou um “todo mundo corre pra onde?”, mas os insiders… bem, eles correram para o botão de comprar.
Para os otimistas, isso cai como um abraço quentinho. No começo do ano, quando Trump soltou aquela rodada de tarifas novas e o mercado derreteu, insiders compraram no ritmo mais acelerado desde 2023. Pouco tempo depois, veio a recuperação… incluindo o maior rali de um dia desde os anos 80. Coincidência? Talvez. Sincronia fina? Também.
Os trading desks parecem concordar com o movimento dos executivos. O JPMorgan chamou a queda recente de “lavagem técnica”. Mas por que essa coragem toda? Porque os lucros corporativos do terceiro trimestre vieram acima do esperado e “nos maiores níveis já registrados”.
Geralmente, as compras líquidas costumam ser sinal positivo por parte dos insiders. Mas não dá pra usar insider buying como relógio suíço de timing.
E olha… eles estão comprando.
PS: aqui no BR, entre fev-jul, os insiders compraram R$5,47 bi em ações.
Master e as agências de rating
O caso do Banco Master virou a novela preferida da Faria Lima. E, como toda boa novela, trouxe de volta uma velha discussão: a polêmica sobre o papel das agências de rating. Com tudo isso acontecendo, o Master desfilava por aí com grau de investimento: no ano passado, a Fitch cravou um “A-(bra)” para o banco.
E isso, inclusive, era argumento oficial para alocação. Alguns fundos, incluindo a Rioprevidência, saíram se defendendo: “Calma lá, a gente investiu porque ele tinha rating bom!”. E ela não estava sozinha… um levantamento do Ministério da Previdência mostrou que outros 17 RPPS embarcaram no mesmo barco, investindo bilhões no Banco Master.
A história, claro, acende um déjà vu: a eterna discussão sobre a responsabilidade das agências de rating, uma conversa que sempre volta desde 2008.
No caso do Master, as dúvidas são parecidas. O banco carregava FIDCs, fundos, ativos ilíquidos e uma estratégia bem audaciosa e volátil. Ainda assim, por muito tempo, a nota resistiu firme e forte. Alguns defendem que rating é opinião, e não um raio-X forense.
O fato é que a metodologia existe e as empresas de rating só são penalizadas quando fica claro que a agência ignorou sinais gritantes ou foi negligente. Como quase tudo na vida, esse mercado é cheio de problemas:
assimetria de informação;
conflitos de interesse (afinal, quem é avaliado paga);
dificuldade real de flagrar, em tempo real, carteiras maquiadas com criatividade nível novela mexicana. Ou seja, quando o board quer fazer alguma fraude e maquiar balanços, ele consegue (americanas que o diga)
No fim das contas, o episódio serve de lembrete incômodo: não dá pra terceirizar diligência. Rating ajuda? Muito. Resolve tudo? Claramente não.
A Fitch, por sua vez, defende que aplicou rigorosamente sua metodologia e que ratings não cobrem “eventos imprevistos”, como, por exemplo, fraudes. E lembra que começou a rebaixar as notas do Master em setembro, após a compra frustrada pelo BRB, levando o rating nacional a “BB-(bra)”. Depois veio “CC” em outubro. E, com a liquidação extrajudicial, na quarta-feira, 19 de novembro, tudo virou “D”. too late… too late..
ps: O Lehman Brothers era AAA em junho de 2008… em setembro quebrou.
Ray Dalio e as bolhas
Ray Dalio está praticamente levantando a plaquinha de que “sim, é bolha!”, mas mesmo assim não quer ver ninguém apertando o botão de vender. Rs.
Segundo o fundador da Bridgewater, o mercado de IA já está com aquela cara de balão de aniversário prestes a estourar, mas não é por isso que você deve sair correndo.
“Estamos claramente em território de bolha”, disse Dalio no Squawk Box. “Só que o estouro ainda não chegou. Não venda só porque existe uma bolha, mas saiba que, historicamente, quando o mercado entra nesse território… os próximos 10 anos tendem a render muito menos.”
Traduzindo: pode continuar na festa, só não ache que o DJ vai tocar hits para sempre.
As declarações vieram após Nvidia divulgar resultados que deixaram analistas sorrindo e concorrentes chorando no banho. Mas que durou muito pouco… após a euforia o mercado, no mesmo dia, virou para um sell-off de cinema (falamos aqui).
Dalio ainda lembra que toda bolha precisa de um alfinete, e, na opinião dele, esse alfinete não deve vir do FED ou de política monetária. Ele aposta em algo mais político, como um aumento de impostos sobre grandes fortunas ou alguma outra decisão que afaste o dinheiro do mercado.
Enquanto o prato principal não quebra, Dalio recomenda o de sempre: diversificar. E isso inclui ouro. Como todo bom anfitrião, Dalio está vendo a bolha, está vendo o risco… mas, por enquanto, está deixando todo mundo ficar mais um pouquinho na festa.
Será que ele faz jus ao “put your money where your mouth is” ou só esta jogando pra torcida?
No dia de hoje (ou ontem) nos mercados…
Hoje, mas em 2008, o Citigroup recebia o resgate histórico no auge da crise subprime. O governo americano injetou US$ 20 bilhões no banco e garantiu cerca de US$ 306 bilhões em troubled assets.
Ontem, mas em 1995, O índice Dow Jones Industrial fechava acima de 5.000 pontos pela primeira vez na história. Foi um marco simbólico do bull market que antecedeu a bolha e o colapso das empresas dot.com.
Aspas
“ Nvidia está no caminho de gerar um lucro líquido maior do que o somatório de vendas das suas antigas rivais, Intel e AMD.”
Memes:
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