Payroll e Focus
Mais uma pedra no calçado do Powell
Fala pessoal,
Semana passada foi agitada, com muitos indicadores macro e micro no radar. Falamos um pouco das decisões de políticas monetárias aqui. E na sexta saiu o tão aguardado dado do mercado de trabalho americano, o Payroll.
Payroll
O mercado de trabalho dos EUA deu uma escorregada digna de replay: o relatório de empregos, payroll, de julho veio fraco, derrubou expectativas e colocou o FED em uma encruzilhada entre combater a inflação e salvar o emprego… tudo isso com Trump bufando no cangote pedindo corte de juros.
Os números:
Novas vagas: só 73 mil vagas, bem abaixo das 100 mil esperadas.
Revisional: os números dos meses anteriores anteriores ainda foram revisados para baixo em 258 mil postos.
Média móvel: 35 mil vagas ficou a média dos últimos 3 meses - a menor desde junho de 2020, no auge da pandemia.
Taxa de desemprego: subiu para 4,2%.
O revisional dos meses anteriores fez com que Trump demitisse a chefe do do órgão que solta esses dados, Erika McEntarfer, e acusou o relatório de ser manipulado. "A economia está bombando!", disse ele, enquanto o gráfico caía ladeira abaixo.
Com os números mais fracos, o mercado já começou a apostar em um corte de juros em setembro. Segundo dados do CME Group, a chance de uma redução de 0,25% chegou a 85,5%.
E o papo nos bastidores já virou: será que vem um corte mais agressivo, de 0,5%?
E não foi só o payroll que soou o alarme: o ISM industrial também decepcionou, caindo de 49 para 48 pontos, com o índice de emprego no setor despencando para 43,4.
Enquanto isso, os diretores do Fed estão rachados. Waller e Bowman, indicados por Trump e agora figuras centrais no banco central, defendem cortes mais rápidos. Bowman, aliás, virou vice de supervisão bancária, e Waller está de olho na cadeira do chefão, Jerome Powell — que, segundo Trump, deveria seguir o exemplo da diretora Adriana Kugler e pedir o boné. Com a renúncia dela, uma nova vaga se abre para o Trump nomear um novo membro e assim colocar ainda mais pressão no Powell.
No fim das contas, o FED está com um olho na inflação, outro no desemprego e um terceiro, se tiver, em Trump. Porque quando Trump começa a gritar, até quem imprime dólar começa a suar frio.
Boletim Focus
Dados da divulgação dessa segunda 04/08/2025:
Inflação: 10ª queda consecutiva, com a mediana recuando de 5,09% para 5,07% ao fim do ano. O motivo? Real valorizado e preços no atacado comportados, tanto de alimentos quanto de produtos industrializados. Para 2026, a projeção também deu um passinho para trás, indo de 4,44% para 4,43%. Já 2027 permanece nos 4,00%.
PIB: crescimento ainda respira, mas já sente o cansaço. A previsão segue em 2,23% para 2025, mas em 2026 caiu para 1,88%, contra 1,89% antes. E 2027 também pra baixo: 1,95%, vindo de 2,00%.
Selic: por enquanto, nada muda. A aposta é que vai fechar 2025 em 15,00%, mesmo patamar da semana anterior. Para 2026 e 2027, os números também permanecem em 12,50% e 10,50%.
Dólar: projeções não se mexeram. Para 2025, a expectativa segue em R$ 5,60. Para 2026 e 2027, o mercado também mantém a aposta em R$ 5,70.
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