Fala pessoal, bora pro pregão?
Juros globais: enquanto o mundo desenvolvido aperta o cinto… o Brasil segue cortando juro
Treasury de 10 anos bate 5,22% e o Fed passou o ano tratando isso como sinal, não ruído
Imagina o Fed olhando pro PMI de setembro (o mais forte desde 2021) e pensando: essa economia não tá cansada, tá é acelerando... Se esta acelerando, o mercado tratou de reprecificar isso rápido, e as chances de alta de juro em outubro saltou de 11% pra 70% em um mês.
O resultado bate direto na curva de juros americana: a Treasury de 10 anos foi a 5,22%, maior nível desde 2007. A de 30 anos passou de 5,5%, patamar que não se via desde 2004. E não foi só combustível de PMI… o leilão de título de 5 anos saiu com demanda fraca e a maior taxa desde 2006!
O contágio foi imediato e global:
Japão: título de 10 anos a 3,08%, maior desde 1996
Reino Unido e Alemanha: também em máximas
Combo por trás: choque de petróleo, bancos centrais apertando junto e apetite mais seletivo por dívida pública num mundo de déficit gordo
Isso tudo aperta condições financeiras globais, e ativo de emergente, historicamente, sofre primeiro quando isso acontece.
Só que enquanto lá fora o roteiro é “segura o juro”, o Brasil está no capítulo oposto. A Ata do Copom e o Relatório de Política Monetária, ambos divulgados na semana passada, reforçam que o ciclo de corte de Selic continua. Atividade desacelerando e inflação subjacente melhorando, apesar de ainda estar acima da meta.
Meu cenário-base atual: mais um corte de 0,25 p.p. em novembro e indo a 11,50% para 2027.
A pedra no sapato é o IPCA-15 de setembro, que veio em 0,70%, bem acima do esperado (0,58%), levando o acumulado em 12 meses de 4,24% pra 4,47%. E o motivo não foi só a volta do Bônus de Itaipu na conta de luz: alimentação subiu de novo com as primeiras chuvas do El Niño, serviço aéreo e seguro de veículo pressionaram, e os núcleos pararam de desacelerar. Ou seja, o corte segue no radar, mas a margem de conforto encolheu.
No fiscal, a notícia é mista: o governo reduziu a contenção total de gastos pro bimestre, mas piorou a projeção de déficit primário, de R$ 52 bi pra quase R$ 81 bi, mesmo com arrecadação batendo recorde real de 8,3% em agosto, turbinada pelo petróleo. É o país sendo salvo pela commodity de novo, enquanto o resto da conta se deteriora.
O lucro bilionário de IA que ainda não aparece na conta
As hyperscalers gastam centenas de bilhões hoje… e a fatura só chega daqui a alguns trimestres
Nos últimos tempos, todo trimestre vem apresentando a mesma cena: Big Tech anuncia um cheque astronômico em IA e também reporta lucro recorde. Uma leitura rasa é: “gastam rios de dinheiro e mesmo assim o lucro não para de crescer, logo tá tudo ótimo”. Mas essa leitura confunde duas contas diferentes, e é aí que mora o pulo do gato
Uma coisa é o caixa saindo pela porta (isso já está acontecendo, pesado). Outra, bem diferente, é a despesa entrar na demonstração de resultado, e e essa parte mal começou.
Aqui vai o mecanismo:
Amazon, Meta, Alphabet, Microsoft e Oracle, as “hyperscalers”, estão em ritmo de US$ 800 bilhões em capex só este ano, alta de 94% sobre 2025.
Esse gasto não vira despesa contábil de uma vez. Ele é depreciado ao longo da vida útil do ativo
Ou seja: a fatura de centenas de bilhões vai ser fatiada e distribuída nos resultados dos próximos trimestres, na forma de despesa de depreciação crescente
→ A depreciação deve tirar 5 pontos percentuais do crescimento de lucro do S&P 500 em 2027, cancelando quase metade do impulso de 11 pontos que o próprio capex está dando hoje. Em 2028, o efeito se inverte de vez: a depreciação passa a pesar mais do que o capex ajuda.
Enquanto isso não acontece, quem já está lucrando pra valer são os fornecedores desse ecossistema (semicondutor, hardware, industrial, utilities). Segundo o Goldman, esse grupo responde por quase metade do crescimento de lucro esperado do S&P 500 este ano.
Repara que isso não é meme de Bear de plantão… é contabilidade batendo com o calendário de investimento. Não estou falando que a aposta em IA vai dar errado, mas sim que que o vento a favor no lucro tem prazo de validade, e a receita gerada por esses investimentos vai ter que aparecer pra compensar o freio.
Esse é o tipo de detalhe técnico que separa quem lê resultado trimestral direito de quem só olha a manchete do “lucro recorde”. Porque quando 2027 chegar e o crescimento de lucro desacelerar, quem entendeu essa engrenagem vai saber exatamente o porquê… e quem não entendeu vai estar perguntando por que o mercado “sumiu do nada”…
No dia de hoje (ou ontem) nos mercados…
Hoje, mas em 2008: os governos holandês, belga e luxemburguês anunciavam um resgate emergencial de € 11,2 bilhões para o Fortis, na época a vigésima maior empresa do mundo em receita, marcando a primeira grande baixa bancária europeia da crise financeira global.
Aspas
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Smart people are selectively ignorant about most things, and focused on some things.
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Memes:
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