Fala pessoal, bora pro pregão?
Que mexida os mercados tiveram com o anúncio de que Flavio Bolsonaro vai ser o candidato do Bolsonaro. “Flavio Day” foi o pior dia para o Ibov desde fev/21. Mas em fev/21 tivemos o evento isolado de Petrobras, que caiu -21% e contaminou todo o índice. Agora a queda em bloco de quase -5% não se via há muito tempo…
Mercado não corrigiu praticamente nada ainda… se começar uma precificação de não-alternância de poder, o estrago vai ser bem maior! A ver as próximas movimentações do tabuleiro.
Previsões
Chega fim do ano e com ele a época em que todo mundo em Wall Street tira a bola de cristal da gaveta e começar a projetar para onde o mercado vai. Entre as 13 casas que já soltaram suas previsões, a média para o S&P 500 ficou em 7.596 pontos, o que daria um ganho de 10,5% a partir dos níveis atuais.
O mais pessimista do grupo é o Bank of America, que mira 7.100 pontos - um aumento tímido de 3%.
O mais otimista é o Deutsche Bank, apostando em 8.000 pontos, alta de 16%, basicamente repetindo o que o mercado já entregou neste ano.
O S&P 500 render algo perto de 10% ao ano em média, pouquíssimos anos ficam realmente próximos desse número. Normalmente é tudo 8 ou 80, ou seja, bem acima ou bem abaixo.
Depois de três anos de ganhos acima da média, algumas dessas previsões parecem ousadas. Mas, claro, como sempre: previsões de 1 ano são quase fanfic financeira - não servem para nada! É muito difícil acertar movimentos de curto prazo, e a volatilidade histórica deixa claro que “médio” quase nunca acontece — o retorno anual costuma desviar até 20 pontos percentuais para cima ou para baixo e continuar “normal”.
Saber o retorno médio é útil para quem vai carregar ações por décadas… para todo o resto, especialmente quem tenta usar previsões anuais para entrar e sair do mercado, não serve para muita coisa.
O que estão guiando as projeções para 2026:
Receitas devem vir com ventinho a favor – Crescimento econômico moderado, estímulo fiscal do One Big Beautiful Bill Act, juros mais baixos, comércio menos tenso e um tsunami de investimentos em IA.
Dados econômicos – A inflação deve continuar acima da meta do Fed e o mercado de trabalho deve esfriar, já que empresas estão automatizando tudo o que conseguem com IA.
Margens devem engordar – Depois de anos apertando custos, demitindo, cortando escritório e comprando máquinas turbinadas por IA, as empresas estão com estruturas enxutas e mais alavancagem operacional
Earnings – A expectativa é de crescimento de lucros na casa dos 14%, liderado pelo “Magnificent 7”, embora com ritmo mais moderado. E, ao contrário do que se pensa, projeções de lucro geralmente são razoavelmente certeiras.
Valuation - pode continuar alto… ou atrapalhar. Os otimistas acham que P/Es elevados são justificáveis e sustentáveis. Os conservadores acham que vai rolar compressão e os ganhos de 2026 vão depender basicamente dos lucros.
Resumo das projeções: margens mais gordas + lucros crescendo = preços devem subir. O quanto vão subir depende de o mercado topar ou não pagar múltiplos tão altos.
E, para fechar, duas verdades essenciais sobre previsões de 1 ano:
Elas quase nunca acertam. E tudo bem: os estrategistas têm análises ótimas, e os alvos são só uma obrigação “de calendário”.
Não mude sua estratégia por causa disso. Previsões servem mais como clima, não como instrução
No fim, acompanhar essas projeções pode ser divertido, tipo um bolão de mercado. Só não aposte a casa nelas.
PIB Tupiniquim
O PIB do Brasil resolveu dar aquele passinho tímido no terceiro trimestre: subiu apenas 0,1% em relação ao trimestre anterior. Nada que faça a economia dar cambalhota, mas o suficiente para mostrar que os juros altos continuam fazendo efeito e esfriando um pouco o humor da demanda. Mesmo assim, revisões positivas nos dados anteriores, especialmente no agro, fizeram a projeção para 2025 subir para 2,3% (antes era 2,1%).
O motor mais confiável do Brasil, o setor de serviços, completou seu 21º trimestre seguido de alta. Foi só 0,1%, é verdade, mas considerando que serviços respondem por 70% do PIB, qualquer suspiro ali já mexe no todo. Destaques ficaram com Transportes e armazenagem (+2,7%), e informação e comunicação (+1,5%). O comércio também reagiu (+0,4%), enquanto serviços financeiros caíram -1,0%.
A indústria resolveu acordar com disposição: avançou 0,8%, puxada pela indústria extrativa (+1,7%), graças ao petróleo bombando e ao minério de ferro girando forte. Construção (+1,3%) e transformação (+0,3%) também voltaram a sorrir depois de dois trimestres para baixo. A única parte que insistiu no mau humor foram os serviços de utilidade pública (-1,0%).
O agro? Ah, o agro… sempre ele. Cresceu 0,4% no trimestre e já acumula quase 12% no ano.
Pelo lado da demanda, a absorção doméstica voltou ao positivo (+0,4%). O consumo das famílias praticamente ficou onde estava (0,1%) depois de meses animados. Já o governo voltou a gastar um pouco mais (+1,3%). Os investimentos subiram 0,9%. Nas exportações, mais um trimestre de alta (+3,3%), graças principalmente aos produtos agrícolas. As importações até subiram um pouco (+0,3%), mas nem de longe acompanharam o ritmo. Só os estoques que deram aquela murchada e tiraram 0,9 p.p. do PIB.
E pra frente? a força do mercado de trabalho e o retorno do fiscal expansionista devem segurar a onda. As projeções mostram um crescimento de 2,3% para 2025 e 1,7% para 2026.
Berkshire
A Berkshire Hathaway está prestes a fechar o último ano de Warren Buffett como CEO ficando atrás do S&P 500… um final meio irônico para a lenda viva de Omaha.
Em maio, pouco antes de Buffett surpreender todo mundo anunciando que deixaria o comando no fim do ano, as ações da Berkshire estavam dando um baile no S&P 500: 22,4 pontos percentuais de vantagem em 2025. Mas nos três meses seguintes, $BRK.B despencou 14,9%, chegando ao patamar mais baixo pós-reunião anual, US$ 459,11, no dia 4 de agosto.
De lá pra cá, o papel resolveu reagir: subiu quase 10%, mas não o suficiente para alcançar o S&P 500. O próprio Buffett sempre disse que a comparação justa é com o S&P incluindo dividendos. E com esse tempero extra, o índice ganha mais 1,4 ponto percentual, ou seja, quase 7 pontos à frente da Berkshire.
Nada mal para um benchmark que não tem 94 anos de idade nem bebe Coca-Cola no café da manhã.
No dia de hoje (ou ontem) nos mercados…
Hoje, mas em 1941, os mercados americanos reabriam após aos ataques a Pearl Harbor. Dow Jones Industrial caiu 3,5%, com à guerra começando a fazer preços nas ações.
Aspas
“ A tokenização pode ampliar significativamente o universo de ativos disponíveis para investimento, indo muito além das ações e dos títulos listados que dominam os mercados hoje“
Larry Fink, CEO da BlackRock,
Memes:
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