O caixa da BH
+ o pior trimestre dos últimos tempos
Fala pessoal, bora pro pregão?
A Berkshire Hathaway está sentada em uma pilha de caixa simplesmente absurda: US$ 373 bilhões. Detalhe: isso é dinheiro suficiente para comprar 480 empresas do S&P 500, ou seja 96% de todas as empresas do maior índice do mundo.
E não é só o tamanho que chama atenção.. é também o timing. Esse é o maior nível de caixa desde 2008. E quem lembra daquele período sabe: quando o mercado entrou em pânico, Warren Buffett não saiu comprando ações aleatoriamente na bolsa.
Ele fez algo melhor. Enquanto todo mundo vendia, ele virou praticamente um “banco de última instância” para grandes empresas… oferecendo capital em troca de condições extremamente generosas.
Alguns exemplos clássicos:
Goldman Sachs (2008): Berkshire colocou US$ 5 bilhões em ações preferenciais com dividendo de 10% ao ano — mais warrants para comprar ações baratas. No fim, ainda levou uma bela grana quando o Goldman recomprou o papel antecipadamente.
General Electric (2008): praticamente o mesmo pacote: capital + juros gordos + upside via warrants. E, de quebra, o selo “Buffett aprovou”, que ajudou a acalmar o mercado.
Mars Incorporated / Wrigley Company: a Berkshire financiou a aquisição com US$ 6,5 bilhões, garantindo retorno alto com risco relativamente controlado.
Enquanto o investidor comum só podia comprar ações caindo (ou fugir), a Berkshire estava fechando negócios sob medida, com proteção, renda e upside.
Para se pensar
Isso, claro, não é uma recomendação
Se você está pensando em aumentar caixa para se proteger… será que não faz mais sentido simplesmente comprar Berkshire?
Porque, na prática, ao fazer isso você estaria:
Delegando o “timing” para alguém com histórico absurdo
Ganhando acesso indireto a deals que você nunca teria sozinho
Mantendo exposição a oportunidades que só aparecem em momentos de estresse
A Berkshire também depende de preço, não sai comprando qualquer coisa, e pode passar um bom tempo esperando. Mas existe uma lógica que muito investidor usa: ao invés de ficar parado em caixa esperando a crise… investir em quem vive para aproveitar crises.
E convenhamos: se alguém sabe o que fazer com um cheque de US$ 373 bilhões… provavelmente é eles.
O trimestre do S&P 500
O S&P 500 fechou o pior trimestre desde 2022, com queda de 4,6%. Depois de três anos seguidos de alta forte (incluindo +18% em 2025), o mercado resolveu tirar o pé do acelerador, ou um susto, dependendo do ponto de vista.
Mas, como sempre, o os detalhes…
Apesar da queda do índice, apenas cerca de metade das empresas terminou no vermelho. O problema é que, entre elas, estavam alguns dos pesos-pesados da tecnologia — tipo Nvidia, Microsoft, Apple e Alphabet.
Boa parte das quedas veio do mundo de software, que entrou em modo “crise existencial” com o avanço da IA e os investidores começando a se perguntar se esses modelos novos vão canibalizar empresas de SaaS.
Saaspocalypse: empresas como Adobe, Salesforce, Workday, Monday apanharam feio, com quedas de 30% a 40%.
Enquanto isso… energia e chips estavam em festa
Se de um lado tinha gente chorando, do outro tinha comemoração.
O grande destaque foi a Sandisk, que simplesmente disparou 168% no trimestre. Sim, você leu certo. Depois de já ter subido absurdos 559% em 2025, a empresa continua surfando a onda da demanda por data centers e IA. E não foi sozinha.. empresas ligadas a infraestrutura de dados e memória acompanharam o movimento e tiveram altas relevantes
Outro grupo que brilhou foi o de energia. Com o petróleo voando acima de US$ 100 por causa das tensões no Oriente Médio, o setor teve um dos melhores trimestres da história relativa.
Qual o termômetro correto?
Se você acha que a bolsa brasileira tá cara, com esse recorde histórico de ontem, talvez valha a pena perguntar pra um termômetro bem menos “emocional” do mercado: os títulos públicos. Se a NTN-B estiver “falando a verdade”, o Ibovespa tá fazendo cosplay de otimismo exagerado.
O diagnóstico vem de um cruzamento curioso: o Ibovespa atingiu seu maior nível relativo em relação à NTN-B 2050 desde 2010. Enquanto o Tesouro IPCA segue pagando juros reais acima de 7% há um bom tempo, a bolsa disparou.
Parece aquele clássico caso em que um dos dois mercados está mentindo… e ninguém sabe qual, mas alguém vai que pedir desculpa depois.
Mas por que esse descolamento aconteceu? Aqui entra o fator “gringo com pressa”. Desde que o Brasil perdeu o grau de investimento, muitos investidores estrangeiros ficaram limitados para comprar dívida pública local, então o caminho natural virou a bolsa… numa proporção de mais ou menos 5 para 1 em relação às NTN-Bs.
Some a isso o fato de que estrangeiros respondem por cerca de metade do volume diário da B3, mas mal encostam em 10% da dívida pública, e pronto: você tem um empurrão bem mais forte nas ações do que nos títulos.
Do outro lado, as NTN-Bs também não tiveram vida fácil. A febre das debêntures incentivadas sugou parte da demanda doméstica, enquanto estratégias de arbitragem de gestores (que transformam IPCA em CDI) acabam jogando ainda mais pressão vendedora nos títulos longos.
Em algum momento, bolsa e NTN-B vão ter que entrar em consenso… se o risco mais mal precificado hoje for mesmo a inflação (e há bons argumentos de que é), então faz mais sentido carregar proteção do que perseguir retorno. Afinal, entre um ativo que promete e outro que já paga, o mercado costuma ter um histórico curioso: mais cedo ou mais tarde, alguém é obrigado a encarar a realidade.
No dia de hoje (ou ontem) nos mercados…
Hoje, mas em 1720: o Rei George I, assinava a Lei dos Mares do Sul, concedendo poderes de financiamento praticamente monopolistas à Companhia dos Mares do Sul. As ações fecharam o dia a £335, um aumento considerável em relação aos menos de £100 de algumas semanas antes.
Ontem, mas em 1998: era anunciada uma megafusão bancária, criando o Citigroup. O acordo uniu o Citicorp ao Travelers Group. Os dois bancos, já gigantes por si só, receberam os codinomes Júpiter e Saturno durante as negociações.
Memes:
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