Navegando entre máximas e mínimas
Harvard aumenta sua posição em BTC | ETFs brazucas alavancados | Troca da dívida de Vale
Fala pessoal, bora pro pregão?
Que dia para o ibovespa estar fechado hein!
Já diria o grande Stratovarius: o mercado esta Hunting High and Low
Enquanto a Faria Lima descansava no feriado, o mercado americano teve um pregão que, estatisticamente, entrou pra história:
S&P: teve a maior queda desde o dia da libertação, perdendo US$ 2 trilhões em valor de mercado em apenas 5 horas;
SPY: desde o início do ETF que replica o S&P, essa foi apenas a 3° vez que ele abriu com +1,5% de alta e chegou caindo mais de -1,5%. (as outras 2x foram em 2008, na crise do subprime:
Estamos caminhando para o pior novembro do mercado americano desde 2008, mas, ao mesmo tempo o nível de otimismo global se encontra nas máximas da década. Quem esta falando a verdade?
Entre as dicotomias do mercado, por um lado os gestores estão com o menor nível de caixa em 15 anos e com a maior exposição a ações dos EUA desde fevereiro. Mas, ironicamente, muitos dizem que a aposta nas “Magnificent Seven” é o trade mais lotado do mercado, e quase metade vê a bolha de IA como o maior risco escondido.
Ou seja: todo mundo está apostando em tech… mas todo mundo está com medo… enquanto continua apostando em tech.
No meio dessas narrativas, S&P corrige apenas 4,4%, mas o VIX já sobe 53% e o bitcoin se encontra na mínima dos últimos 7 meses, e agora já tá caindo no ano (chegou a subir +35). A perda do bitcoin, junto com outras criptos, nas últimas semanas já passou da marca do US$1,2 trilhão.
Apesar dos pesares, a foto do ano continua linda para algumas mag-7:
Harvard <> Bitcoin
Parece que, entre uma aula de Macro e outra de Filosofia Moral, Harvard decidiu que bitcoin tem que fazer parte da carteira. A universidade mais antiga dos EUA revelou que tem US$ 443 milhões aplicados no IBIT (iShares Bitcoin Trust) da BlackRock.
Harvard comprou 6,8 milhões de cotas do ETF. Um salto considerável em relação aos tímidos 1,9 milhão do trimestre anterior.
No grande bolo de US$ 57 bilhões de endowment, isso aí não chega nem a 1%. Mas dentro do fundo de US$ 2 bilhões, já é a maior posição, com 21%. E convenhamos: quando Harvard coloca quase meio bilhão em cripto, muita gente deve se perguntar: “Será que eu que estou atrasado?”
Nas ligas universitárias, Harvard não está sozinha na excursão cripto:
Brown University: tem cerca de US$ 13 milhões em bitcoin via ETF da BlackRock.
Emory University: entrou com US$ 20 milhões no ETF da Grayscale.
Enquanto isso, alguns investidores institucionais ainda sentem o trauma da crise da criptos de 2022 e ainda ficam de fora. Especialmente os fundos de pensão públicos, que entraram na alta e descobriram na baixa que volatilidade também envelhece.
ETFs
Se você acha que Brasil só exporta minério, carne e confusão política, provavelmente você esta certo… mas agora também estamos exportando alavancagem. Essa semana estreou na Nasdaq os primeiros ETFs alavancados de empresas brasileiras, entregando dobro da variação das ações.
A estreia ficou com o NUG, que replica em dobro a oscilação do Nubank. Em 12 de dezembro entram na pista as versões turbinadas de Petrobras (PBRG) e Vale (VALG). Esse é um teste para convencer a B3 e CVM que dá para colocar alavancados por aqui também, que hoje são proibidos.
E, como manda o manual do caos controlado, esses ETFs fazem reset diário, o que significa que eles só multiplicam o retorno do dia… não espere longo prazo aqui. É ferramenta de trade, não de herança.
Vale que Vale
A Vale acordou decidida a fazer um leve movimento de US$ 750 milhões. A empresa emitiu um bond híbrido, aquele título que é meio dívida e meio equity, perfeito para quando você quer dinheiro mas não quer bagunçar sua alavancagem. O yield? 6,12%. Nada mal para um título com prazo de 30 anos, praticamente um financiamento imobiliário versão Vale.
Esse dinheiro vai substituir uma dívida de US$ 700 milhões em debêntures participativas criadas lá na época da privatização, que pagava conforme produção e vendas. Elas somam US$ 3 bi ao todo, e a Vale já se livrou de 25% disso com um pré-pagamento nas últimas semanas.
A escolha do bond híbrido faz parte do plano zen do CFO Marcelo Bacci para manter a alavancagem em paz, ali por volta de 1,1x EBITDA (contando até as contas de Brumadinho e Mariana). E, como o título é híbrido, as agências de rating fazem uma mágica simpática: só metade conta como dívida; a outra metade entra como equity.
Para conseguir esse tratamento VIP, o título vem com vários requisitos especiais: é subordinado, tem prazo gigante, uns step-ups de cupom no meio do caminho e ainda permite adiar pagamento sem gerar cross-default.
Claro que esse tipo de bond costuma ter um prêmio sobre um título sênior. No mercado, esse prêmio tem ficado em média em 149 bps. A Vale, porém, saiu melhor na foto: 137 bps. Para comparação, o bond sênior da companhia rende 4,75%, contra os 6,12% desse híbrido charmoso.
A demanda foi forte: 3,8x a oferta logo no início (algo perto de US$ 3 bilhões). No preço final, ainda ficou em 3,5x. Quem comprou? Fundos de crédito dos EUA, várias seguradoras e fundos de pensão. O extrato do investidor que adora um papel longuíssimo para chamar de seu.
Coordenando a festa: Citi, Bank of America, HSBC e JP Morgan, o quarteto fantástico que não perde um bom roadshow.
No fim das contas, a Vale saiu com dinheiro novo, dívida mais barata e alavancagem intacta. Um belo spa financeiro.
As melhores opções, segundo o BTG, para uma vitória do centro/direita nas eleições do ano que vem. Você concorda?
No dia de hoje (ou ontem) nos mercados…
Hoje, mas em 1980, o Dow Jones chegou pela primeira vez na marca dos 1.000 pontos. 45 anos depois o índice está em torno de 46 mil pontos
Ontem, mas em 1923, a inflação mensal na Alemanha atingiu o valor estratosférico de 3,2 milhões por cento.
Ontem, mas em 2010, a General Motors voltava a colocar suas ações na bolsa em uma IPO de US$ 15,8 bilhões após sua falência com apoio do governo. Isso foi um marco importante na reestruturação pós-crise americana.
Aspas
“Se eles [a Mapa Capital] decidirem vender participação, eu posso ir lá e comprar as ações.”
Michael Klein, herdeiro da Casas Bahia, que ainda não desistiu de aumentar posição na empresa.
Memes:
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