Máximas, Atas, e a precificação da perfeição
Fala pessoal, bora pro pregão?
História. Algo que não viamos desde 1994: a bolsa subir 15 pregões seguidos e renovando por 12x suas máximas histórica. Nessa onda, impulsionado principalmente por fluxo vindo para emergentes, tivemos 18 ações que renovaram as suas máximas históricas também:
Ata Copom
Ontem tivemos a divulgação da ata do Copom e o tom foi praticamente o mesmo do comunicado anterior: firme, paciente e sem pressa para mexer na Selic. Em bom português: o BC quer deixar claro que não tem planos de cortar juros tão cedo (apesar do mercado discordar disso).
Segundo o texto, o cenário está se comportando conforme o esperado, e a taxa atual já parece suficiente para levar a inflação de volta à meta, mas será mantida “por um período bastante prolongado”.
No front internacional, o Comitê manteve o alerta ligado. A ata cita um ambiente global ainda “incerto”, com menções à situação fiscal frágil de várias economias, às negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e às dúvidas sobre a política monetária americana, agravadas pelo shutdown. A recente valorização do real também entrou na conversa: parte do movimento veio do diferencial de juros, parte da própria fraqueza do dólar frente a outras moedas.
No front doméstico, o tom foi de “nada de novo sob o sol”. O Copom vê a economia crescendo de forma moderada, com setores reagindo de maneiras bem diferentes: os mais dependentes de crédito e condições financeiras estão desacelerando, enquanto os mais ligados à renda seguem firmes.
A ata trouxe também uma novidade: o Comitê passou a incorporar uma estimativa preliminar do impacto da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. O texto destaca que essa projeção ainda é incerta e pode mudar com novos dados, mas que prefere manter uma postura conservadora. Ele lembra, inclusive, que outras medidas de estímulo recentes (como o pagamento de precatórios e novas linhas de crédito consignado) tiveram efeito menor que o esperado.
As expectativas de inflação, segundo o BC, estão cedendo, inclusive nos prazos mais longos. Ainda assim, a desancoragem das expectativas continua sendo uma preocupação. Por fim, o balanço de riscos segue equilibrado, mas elevado.
De um lado: o BC teme que as expectativas voltem a se descolar da meta ou que a inflação de serviços se mostre mais teimosa do que o previsto.
De outro: vê a possibilidade de uma desaceleração mais forte da economia, tanto no Brasil quanto lá fora, o que poderia aliviar os preços.
Techs
Nessa temporada de balanços, as principais techs, apesar dos fortes resultados reportados, não conseguiram expandir seus múltiplos P/L. Pelo contrário, caíram em relação às máximas dos últimos 3 meses:
A verdade é que, neste momento, “perfeito” não é o bastante: qualquer sinal de fraqueza vira tragédia.
O dilema é simples: há muito mais dinheiro sendo gasto em IA do que sendo ganho com ela (por enquanto). A OpenAI, por exemplo, planeja investir US$ 1,4 trilhão nos próximos oito anos, mas hoje fatura algo perto de US$ 13 bilhões. Estamos falando de 100x… não é trivial
Enquanto isso, a turma dos data centers está levantando uma montanha de dívidas. A Oracle fechou um acordo de US$ 300 bilhões com a OpenAI e emitiu US$ 18 bilhões em títulos no mesmo mês. A Meta pegou mais de US$ 27 bilhões emprestados para financiar um megacentro de dados na Louisiana, sendo o maior acordo de dívida privada da história.
E assim os investimento seguem firme. As Big Techs devem gastar mais de US$ 400 bilhões em IA só neste ano. Continua com a minha reflexão que compartilhei na news passada:
O que mais pode assustar o mercado agora não é gasto demais… é gasto de menos. Se uma dessas gigantes pisar no freio e decidir dar uma economizada, investidores podem interpretar isso como fraqueza no “cabo de guerra quântico” da inteligência artificial. Afinal, ninguém quer ser o primeiro a piscar no meio de uma corrida trilionária
Olhando múltiplos, o Nasdaq negocia a cerca de 29 x P/L forward, abaixo do pico de 2021. Mas os investidores estão nervosos, e cada soluço vira manchete. A boa notícia é que a história da IA continua sólida. O que estamos vendo é apenas o lado B da euforia: um pouco de cansaço, medo e a percepção de que os lucros ainda vão demorar.
O futuro ainda é da inteligência artificial, mas o caminho até lá não vai ser linear.
No dia de hoje (ou ontem) nos mercados…
Hoje, mas em 1999, o então presidente Bill Clinton sancionou a Lei Gramm-Leach-Bliley, revogando as barreiras da Lei Glass-Steagall e permitindo a consolidação de bancos comerciais, bancos de investimento e seguradoras, remodelando assim o setor financeiro.
Ontem, mas em 2000, a pets.com encerrou suas atividades após apenas dois anos, com o estouro da bolha da internet.
Memes:
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