Fala pessoal, bora pro pregão?
Dias de reunião do Federal Reserve têm sempre o mesmo roteiro: às 14h (horário de Washington) sai a decisão de juros. Mas o verdadeiro espetáculo começa logo depois, com o comunicado e, claro, com a coletiva de Jerome Powell, onde cada vírgula vira munição para fogos de artifício nos mercados.
Lá fora: o consenso fala em um “hawkish cut”, que é aquele corte de juros com cara de “tudo sob controle, mas nem tanto”. Ou seja, decisão provavelmente dividida e Powell subindo ao palco para passar o recado de cautela.
Por aqui: mercado tem 100% de certeza que a decisão vai ser pela manutenção da Selic e o comunicado deve trazer as mesmas preocupações de sempre
Macro perdendo espaço
Por que o macro vai perder protagonismo na gestora BlackRock para 2026?
Porque, segundo a própria gestora, estamos vivendo a era do AI Cinematic Universe, em que as decisões corporativas viraram tão importantes que o macroeconomia virou quase figurante.
Axel Christensen, estrategista-chefe para a América Latina, explicou que a casa segue pró-risco, mas não por estar superanimada com o cenário macro dos EUA. Na real, é o contrário: inflação alta, política comercial intensa e vários desafios no horizonte. Mas nada disso importa tanto quanto a IA, a nova protagonista. Eles continuam firme no romance com a inteligência artificial e reafirmaram sua fé nas ações americanas ligadas à transformação tecnológica.
A BlackRock até criou um nome interno para esse fenômeno: “micro é macro”. Em outras palavras, decisões empresariais relevantes hoje mexem mais com o mundo do que os comunicados do Fed. E tem números para isso: o investimento em IA cresceu tanto que reduziu pela metade a fatia do consumo no PIB americano, algo impensável para a economia que vive de gastar desde sempre.
Mas nem tudo são GPUs… a maioria dos investimentos até agora foi bancada com o próprio caixa das empresas. Só que, olhando para frente, a conta estimada para os próximos 4–5 anos é de US$ 5 a US$ 7 trilhões. Vai precisar de emissão de ações, novas dívidas e, claro, risco.
Lembrem de 2008: problema não foi o produto, mas a alavancagem. Fica o aviso.
Olhando para o Brasil, a BlackRock, vê que o país está cada vez mais bem posicionado na rearrumação global das cadeias de suprimento. Energia, energia, energia.
Mudanças na BH
A aposentadoria de Warren Buffett ainda nem começou, mas a Berkshire Hathaway já começou a mexer na operação. Aos 95 anos, o Oráculo de Omaha só larga oficialmente o comando em dezembro, mas a empresa decidiu adiantar a dança das cadeiras
Foi a maior reformulação dos últimos anos:
uma saída surpresa (Todd Combs);
uma aposentadoria anunciada (Marc Hamburg);
e até a criação de um cargo novinho em folha. Michael O’Sullivan vai ser o primeiro conselheiro jurídico-geral da história da Berkshire.
Analistas elogiaram o movimento, mas muitos acham que isso é só o trailer do que vem pela frente. Em 1º de janeiro, Greg Abel assume como CEO no lugar de Buffett. Já o CFO Marc Hamburg, na casa desde 1992, anunciou que sai… mas só daqui a um tempo: entrega o cargo em 2026, mas estica a aposentadoria até 2027 para garantir que tudo fique alinhado.
A parte de “setores” também teve mudanças: Adam Johnson, chefe da NetJets, agora vai liderar o supergrupo de consumo, serviços e varejo, um cardápio que vai de chocolates See’s Candies às clássicas camisetas Fruit of the Loom. No radar, o nome de Ted Weschler brilha, com muitos achando que ele deve ganhar ainda mais influência sobre o portfólio de investimentos no pós-Buffett.
Além das mudanças estratégicas, também temos o fator cronológico: muita gente do círculo íntimo de Buffett já está na idade de pedir o crachá dourado.
JP Morgan
O gigante JPMorgan Chase levou um tropeço de quase -5% porque avisou aos investidores que a conta do ano que vem vai vir mais salgada. No palco da conferência do Goldman Sachs em Nova York, a Marianne Lake contou que o banco fechou o orçamento do ano que vem e separou US$ 105 bilhões para gastar. Bem acima dos US$ 95,9 bi gastos esse ano e também acima das projeções, que ficavam próximo a US$101 bi.
O aumento vem, principalmente, de três áreas:
salários (ninguém quer perder talento),
marketing de produtos (ninguém quer perder clientes)
investimentos estratégicos, como abrir mais agências e turbinar iniciativas de inteligência artificial.
Mesmo assim, Lake garantiu que está tudo sob controle: segundo ela, o banco está investindo bem o dinheiro e, considerando a performance do negócio, “se sente ótimo” sobre esses gastos — ainda que o mercado claramente não tenha compartilhado do mesmo entusiasmo.
No dia de hoje (ou ontem) nos mercados…
Ontem, mas em 1999, a VA Linux Systems, uma das queridinha da bolha da internet, fazia seu IPO a US$ 30 por ação, e iniciou suas negociações a US$ 299. Uma valorização de 700% no primeiro dia de negociação!
Aspas
“For those who believe, no proof is necessary. For those who don’t believe, no proof is possible
Howard Marks, no seu último memo “Is it a bubble?”
Memes:
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