Fim da era Powell
54-45: o Fed tem novo chair
Fala pessoal, bora pro pregão?
Fim de uma era no Fed
Pela margem mais apertada da história, o Senado confirmou o novo chair do Federal Reserve. A era Powell acabou, e o que vem a seguir é uma incógnita.
Jerome Powell passou 8 anos no comando do Fed sem nunca ter um momento tranquilo. Subiu juros quando Trump queria cortar, segurou a economia durante uma pandemia global e depois enfrentou a maior inflação em décadas. Saiu com a inflação em 3,8%… bem acima da meta de 2% que repetiu como mantra durante todo o mandato.
O substituto é Kevin Warsh, confirmado pelo Senado pela margem mais apertada da história para o cargo, em 54-45. Warsh foi indicado durante o primeiro mandato de Trump e, ao contrário de Powell, tem sinalizado abertura para cortes de juros… exatamente o que o presidente sempre quis ouvir.
→ O problema é que o chair não decide sozinho. Para cortar juros, Warsh precisa convencer uma maioria dos 12 votantes do FOMC. E por ora, o mercado não está comprando essa narrativa: o FedWatch não projeta probabilidade de corte acima de 2,8% em nenhum momento até o fim do ano.
O legado de Powell é inegável:
Em 2018, seu primeiro ano no cargo, ele subiu juros quatro vezes (de 1,25% para 2,50%) ignorando a pressão de Trump, que mais tarde classificou sua decisão de nomear Powell como “um erro enorme”.
Em 2020, quando a pandemia chegou, Powell fez o oposto: abriu todas as torneiras, comprou dívida, pressionou o Congresso por alívio fiscal e conseguiu derrubar o desemprego de quase 15% em 2020 para menos de 4% no fim de 2021.
Mas… todo esse estímulo todo veio com um custo. A inflação que se seguiu foi a pior em décadas, e Powell cometeu o erro que vai seguir seu nome para sempre: chamou de “transitória”. Não foi. O banco central demorou para reagir, e quando reagiu, teve que subir juros na velocidade mais agressiva em gerações para tentar recuperar o controle.
Warsh agora herda um Fed em terreno complicado: inflação acima da meta, juros ainda restritivos e um presidente que vai pressionar.
Mas ele chega com uma tese interessante, parecida com Alan Greenspan, que foi chair de 1987 a 2006, e ignorou pressões para subir juros porque acreditava que a revolução do computador pessoal estava criando um boom de produtividade que não coincidiria com inflação. Tinha razão. Warsh acredita que a explosão da IA pode ser o equivalente moderno… uma força deflacionária suficientemente poderosa para justificar cortes de juros sem reacender a inflação.
Powell saiu como um chair que salvou a economia numa crise sem precedentes e depois perdeu o controle da narrativa. Warsh entra com a pressão de entregar o que Powell não conseguiu: juros mais baixos, inflação controlada e, de preferência, sem brigar com o presidente. Fácil não vai ser.
Berkshire foi às compras…
O mercado todo achou que a Berkshire Hathaway estava parada em cima de um caminhão de dinheiro… de fato, os primeiros relatórios do ano deu a entender isso. Mas agora, o último relatório apresentado, mostrou que a empres foi as compras:
→ O destaque da rodada foi a aposta reforçada na Alphabet. A Berkshire simplesmente triplicou sua posição, chegando a 58 milhões de ações, e agora é uma das maiores participações do portfólio, avaliada em cerca de US$ 23 bilhões.
→ A empresa abriu uma posição de cerca de US$ 3 bilhões na Delta Air Lines (provavelmente uma escolha do gestor Ted Weschler, que ganhou mais espaço dentro da Berkshire recentemente). O velhinho provavelmente não aprovaria essa.
Mas não foi só de compras que vive o trimestre. A Berkshire também decidiu fazer uma limpa em algumas posições, especialmente aquelas ligadas ao ex-executivo Todd Combs. Mesmo com uma conta salgada de cerca de US$ 2 bilhões em impostos sobre ganhos, a decisão foi que, se não tem alguém acompanhando de perto, melhor zerar logo.
As dúvidas do mercado são se essas decisões já são a cara do Abel… ou ainda têm o dedo de Warren Buffett por trás? Eu diria que é provavelmente um pouco dos dois. Dedo do Oráculo de Omaha eu acredito que sempre vai ter.. mas Greg também assumiu a cadeira para apontar algumas coisas, então deve ser um misto.
O caixa da BH continua gigantesco. Entre reforçar apostas em gigantes de tecnologia e limpar o legado antigo, o conglomerado parece estar ajustando o portfólio para uma nova era. Eu acredito que veremos uma BH bem mais ativa daqui pra frente do que a vimos nos últimos anos.
Inflação: a conta chegou
Se a sensação é de que tudo ficou caro… não é impressão. Agora tem número pra provar: a inflação voltou a acelerar forte em abril e, pela primeira vez desde 2023, está crescendo mais rápido do que os salários nos EUA.
O crescimento anual dos salários desacelerou para 3,6%, enquanto a inflação bateu 3,8%. Parece pouca diferença, mas faz um estrago silencioso no poder de compra
O vilão da vez: Energia, claro. Mais de 40% da alta mensal veio daí. Os preços subiram cerca de 18% em relação ao ano passado, com a gasolina ainda pressionando. Comida também resolveu pesar no carrinho. Destaque para o tomate, que virou quase artigo de luxo: subiu 15% pelo segundo mês seguido, com direito a uma ajudinha das tarifas sobre o México.
E mesmo tirando esses itens mais voláteis da conta, o núcleo da inflação continua acima do confortável, em 2,8%, distante da meta de 2%.
O resultado disso é um clima econômico mais tenso. Pesquisas mostram que quase três em cada quatro americanos acham que a economia está ruim. E, quando perguntados sobre o futuro, as palavras mais usadas são “incerteza” e “estresse”.
A inflação não precisa explodir para causar estrago… basta ficar consistentemente acima dos salários. O risco não é só econômico, é psicológico: quando o consumidor sente que está sempre perdendo terreno, ele muda comportamento.
No dia de hoje (ou ontem) nos mercados…
Hoje, mas em 1553: foi lançado um dos primeiros empreendimentos comerciais financiados pela venda de ações ao público. Três navios partiram da Inglaterra, em busca da “descoberta de novos comércios ao norte” da Rússia. A Companhia Russa havia arrecadado 6.000 libras de mais de 200 investidores a 25 libras por ação. A empresa não gerou lucro por pelo menos três décadas, e muitos de seus investidores morreram sem jamais receber dividendos.
Hoje, mas em 1998: o Departamento de Justiça dos EUA apresentou acusações antitruste contra a Microsoft, alegando que a empresa manteve ilegalmente um monopólio do Windows ao incluir o Internet Explorer em seus pacotes.
Aspas
Do not fear to be eccentric in opinion, for every opinion now accepted was once eccentric.
Bertrand Russell
Memes:
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