FED dividido
+ diversificação que não diversifica.
Fala pessoal, bora pro pregão?
O ata da última reunião do FED pegou o mercado de surpresa: que o dissenso existe, não era novidade, mas o clima lá dentro está longe de unanimidade.
De um lado: há quem ache que, se a inflação continuar cedendo, dá para voltar a cortar juros com calma.
Do outro: tem gente que prefere segurar firme e esperar mais dados antes de mexer em qualquer coisa.
Até aí, nada muito dramático…
O problema é que a maioria parece preocupada com um cenário mais teimoso: trazer a inflação de volta à meta de 2% pode ser mais lento e irregular do que o esperado. E o risco de ela simplesmente estacionar acima da meta é considerado “significativo”.
Depois de três cortes seguidos no fim do ano passado, vários dirigentes acham que não dá para continuar reduzindo juros sem provas mais claras de desinflação. E alguns foram além: levantaram a hipótese de que, se a inflação continuar resistente, um aumento de juros não está totalmente fora da mesa. Sim, você leu exatamente isso!
Como se não bastasse, o mercado de trabalho veio forte em janeiro: criação de 130 mil vagas e desemprego caindo para 4,3%. Nada explosivo, mas suficiente para reforçar o argumento da paciência.
→ Se a produtividade sobe, o crescimento potencial aumenta… e isso pode sustentar uma inflação um pouco mais alta.
Há também um debate mais filosófico rolando. Alguns membros, como Stephen Miran, argumentam que o Fed olha demais para o retrovisor, e pode estar superestimando a inflação de moradia e subestimando os ganhos de produtividade trazidos por inteligência artificial e desregulamentação. Kevin Warsh, indicado por Trump para a presidência do Fed, já fez críticas parecidas.
E agora?
A próxima grande pista vem em março, quando o Fed divulgará a nova edição do Summary of Economic Projections. O mercado vai procurar sinais de que o otimismo com produtividade está entrando nos modelos, ou se a palavra de ordem continua sendo cautela.
Por enquanto, o Fed continua com a mão no volante, pé perto do freio… e olho no painel tentando entender se o motor da inflação realmente esfriou.
A diversificação que não diversifica
O mercado mais quente do planeta nos últimos tempos, a bolsa da Coreia do Sul, ficou três dias fechada por causa do Ano Novo Lunar. O índice MSCI Korea disparou incríveis 92% em 2025 e já subiu mais 40% este ano.
A bolsa coreana é dominada por exportadoras de tecnologia, especialmente fabricantes de chips de memória. No momento, há escassez global desses chips… e quando falta produto, sobra lucro.
Duas empresas praticamente carregam o índice nas costas:
Samsung Electronics e SK Hynix. Juntas, representavam mais da metade do MSCI Korea no fim de janeiro. A Samsung ainda tem outras divisões, mas memória já responde por cerca de um terço da receita. A SK Hynix é praticamente “all in” nesse mercado.
Mas há um detalhe: o setor de memória é famoso por seus ciclos de euforia e ressaca. Quando todo mundo decide expandir produção ao mesmo tempo, a escassez vira excesso rapidinho. Por isso, as empresas estão pisando em ovos na hora de ampliar capacidade.
Ou seja: para o investidor dos EUA, comprar Coreia pode não ser diversificar… na verdade pode ser é dobrar a aposta no mesmo tema. O mesmo vale para Taiwan. O índice MSCI Taiwan tem peso gigantesco da TSMC, a superpotência dos semicondutores.
→ Quem quer espalhar melhor as fichas de diversificação na Ásia, o Japão é um país que também surfa a onda da IA, com várias empresas fornecendo componentes e equipamentos especializados. A diferença é que o índice MSCI Japan é mais variado, com tech representando apenas 15% do índice — bem menos que os 56% da Coreia e os impressionantes 85% de Taiwan.
Resumindo, diversificar é preciso e necessário… mas lembre-se que nem toda “diversificação internacional” é realmente diferente.
O bairro do JP Morgan em Manhattan
O JPMorgan decidiu que, se é para ter um escritório novo de US$ 3 bilhões em Manhattan, que venha com pub exclusivo incluso. E assim nasceu o Morgan’s, um bar inglês no 13º andar do arranha-céu reluzente no meio da Park Avenue. Quer conhecer? vai ser difícil… só funcionários da casa, mediante reserva (que podem levar semanas).
O prédio abriga cerca de 10 mil funcionários. O bar tem 55 lugares. Ou seja, conseguir uma mesa virou um desafio para poucos. As reservas são com semanas de antecedência, e os diretores que conseguem levar clientes torcem para que o Jamie Dimon apareça para dar um olá.
Aliás, espaço virou um tema sensível dentro do banco. Os diretores agora dividem salas menores do que as antigas na Madison Avenue. O modelo é open office, evangelizado por Dimon , que gosta da ideia de chefes sentados no meio da tropa.
→ Não foi só o espaço que ficou menor: o banco também apertou regras para reembolso de táxi depois das 21h (nada de black car para atravessar duas quadras) e acabou com o hábito de pedir DoorDash para o apartamento às custas da firma. Jantar pago? Só se estiver fisicamente no escritório.
Em compensação, o prédio entrega vistas de pôr do sol de cartão-postal, academia com Pelotons viradas para o Central Park e a George Washington Bridge, e aquela sensação de que Wall Street ainda sabe fazer espetáculo. No fim, o Morgan’s virou símbolo perfeito da nova vida financeira: glamourosa e instagramável
No dia de hoje (ou ontem) nos mercados…
Hoje, mas em 1995: o Dow Jones Industrial fechava acima de 4.000 pontos pela primeira vez na história, marcando o ponto médio do ciclo de alta, que culminou com o estouro da bolha da internet.
Aspas
“A antifragilidade está além da resiliência ou da robustez. O resiliente resiste às colisões e permanece igual; o antifrágil fica cada vez melhor.”
Nassim Nicholas Taleb - no livro Antigrágil
Memes:
Quer saber como investir e preparar sua carteira para ser resiliente a vários cenários? Vamos conversar sobre como posicionar sua carteira!
Quando as turbulências do mercado e as notícias não param de surgir, o Expresso Financeiro te ajuda a filtrar o ruído e insights para ajudar você na vida financeira!








