Fala pessoal, bora pro pregão?
A versão pesos-iguais do S&P 500 sobe 16,3% no ano, contra 13,5% da tradicional.
Você comprou um fundo de índice achando que ia investir no piloto automático e nunca mais pensar no assunto. Mas… até no investimento “passivo” existe uma escolha ativa escondida! E este ano ela vem fazendo diferença no bolso.
A pegadinha está no peso. Os fundos de S&P 500 mais populares são ponderados por valor de mercado, ou seja, as gigantes mandam no resultado. Mas existe a versão equal-weight, em que Davi e Golias entram com o mesmo peso: cada ação vale 0,2% do fundo, e a cada trimestre tudo é rebalanceado. Na prática, o fundo vende quem subiu e compra quem caiu pra reequilibrar. Contraintuitivo, mas é a regra do jogo.
Por uma década, o S&P tradicional ganhou dessa versão mais democrática. Só que esse ano, a maré virou. Com megacaps como Tesla e Microsoft patinando, o equal-weight disparou:
S&P 500 Equal Weight: +16,3% no ano, contra 13,5% do tradicional.
Nasdaq-100 Equal Weight: +20,2%, ante 17,1% da versão por valor de mercado.
Russell 1000 Equal Weight: +17,8%, contra 13,4% do normal.
O exemplo mais simbólico é a SpaceX: a empresa de Elon Musk entrou no Nasdaq-100 e no Russell 1000 neste ano, pouco depois do IPO, e desde então rendeu menos que os dois índices. A versão equal-weight blinda o investidor de uma aposta concentrada demais na aventura interplanetária do Musk — que, detalhe, já vale US$ 1,9 trilhão (no S&P 500 ela ainda nem entrou.)
No fim, até o investidor passivo precisa escolher que tipo de passivo quer ser:
Otimista com a onda de IA e as hyperscalers? O índice tradicional, concentrado nas gigantes, serve melhor.
Desconfiado e querendo menos exposição a um punhado de nomes como Nvidia e Meta? O equal-weight é seu amigo.
→ Tem um porém: espalhar o peso custa mais caro. O equal-weight do S&P cobra uns 20 pontos-base (0,20% ao ano), contra até 3 pontos-base de um ETF tradicional.
A NFL quer passaporte
Se você, assim como eu, é fã de NFL, saiba que ela está numa missão pessoal: deixar o marido da Taylor Swift tão famoso lá fora quanto ela. Semana passada, o comissário Roger Goodell disse à imprensa que não “dúvida nenhuma” de que a liga um dia vai ter um time sediado fora dos Estados Unidos.
E não parece ser conversa de bar… nesta temporada são 9 jogos internacionais marcados, recorde, espalhados por quatro continentes, com Paris e Rio de Janeiro estreando como cidades-sede.
A ideia é simples: lotar estádios que normalmente recebem o outro futebol, fisgar o torcedor estrangeiro e, lá na frente, fechar contratos gordos de direitos de transmissão.
A pergunta de milhões é onde ficaria o primeiro time de fora. Os candidatos na mesa:
Alemanha: fanbase que remonta à ocupação americana no pós-guerra. Mais de 100 mil pessoas foram a dois jogos em Frankfurt em 2023, e a audiência alemã do Super Bowl subiu pra 1,87 milhão neste ano (era 1,55 milhão em 2025).
Londres: recebeu o maior número de jogos internacionais nos últimos anos e já tem operação encorpada por lá. Goodell chegou a dizer que a cidade banca não uma, mas duas franquias.
Canadá ou México: alguns executivos apostam aqui pela proximidade com os times americanos - e o México, sozinho, tem uns 40 milhões de fãs.
Só que torcida animada não paga o boleto da logística. Os céticos lembram que viagem intercontinental toda semana é desgaste puro pro jogador, e que a tabela inteira teria que ser refeita pra garantir descanso. E convencer craque a se mudar não é trivial: mais da metade dos jogadores disse que não jogaria num time estrangeiro, segundo pesquisa anônima do The Athletic em 2023.
E tem a memória de um vacilo antigo. A liga já tentou uma versão europeia da NFL entre 1991 e 2007, que naufragou por falta de talento e times trocando de cidade toda hora. O prejuízo dessa aventura foi de US$ 400 milhões.
Dessa vez, com Rio e Paris no calendário, a NFL aposta que aprendeu a lição!
O SPX fechou com alta de +2,6% em agosto, após um julho negativo
Quer ver o desempenho do SPX em setembro, em anos com julho negativo, e agosto com alta de +3% ou mais?
Nada promissor:
Warsh saiu do vácuo
As apostas de alta de juros pularam de 35% para 58% assim que ele terminou de falar.
O Kevin Warsh, presidente do Fed e mestre absoluto em não dizer nada, resolveu abrir o jogo em Jackson Hole. No discurso mais assistido do simpósio (o encontro anual dos banqueiros centrais no Wyoming), ele soltou que o Fed vai ter “trabalho a fazer” se a inflação não esfriar.
Tradução do warshês para o português: não se assuste com uma alta de juros logo. Foi o sinal mais claro que ele deu sobre o próprio raciocínio desde que assumiu a cadeira… o que tem lá sua graça, porque no mesmo fôlego ele defendeu que o Fed deveria mesmo é ficar de boca fechada.
O que passa pela cabeça dele:
A inflação segue acima da meta de 2% ao ano, e os dados recentes de arrefecimento não o convenceram de nada.
O foco tem que ser preço, não emprego (o mercado de trabalho, na visão dele, está tranquilo).
E a ferramenta pra isso é uma só: subir juros.
Wall Street ouviu… e correu. Os títulos de dois anos, que andam colados na taxa que o Fed define, viram o rendimento saltar de 4,24% para até 4,36% nas horas seguintes. Do outro lado da curva, o juro de 30 anos, que tinha batido máxima de 19 anos na semana passada (sinal de que o mercado duvidava da disposição do Fed em segurar os preços), recuou de leve.
Ainda vem uma última leitura de inflação poucos dias antes da reunião de setembro, então a decisão não está fechada. Mas o recado já foi dado
As apostas de alta para a reunião do mês que vem pularam de 35% para 58% em questão de minutos, segundo o CME Group… não é todo dia que o silêncio fala tão alto!
No dia de hoje (ou ontem) nos mercados…
Hoje, mas em 1998: o Dow Jones despencava 6,37%, registrando uma das piores quedas em um único dia na década, impulsionado pelo calote da dívida russa e pela desvalorização do rublo
Ontem, mas em 1919: a Coca-Cola vendia ações a investidores externos pela primeira vez. Um consórcio de bancos e corretoras de todo o país comprou 417.000 ações para revender a investidores de varejo a um preço inicial de oferta de US$ 40. (Uma tentativa anterior de IPO em 1892 havia fracassado).
Aspas
“Stay teachable. You can be smart and still have more to learn.”
Memes:
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