Emprego e inflação: o começo de ano que ninguém pediu
+ IPCA
Fala pessoal, bora pro pregão?
Os Estados Unidos não iniciavam um ano com demissões em massa como 2026, desde a última grande crise financeira. Esse é um dado que precisamos ficar de olho: empresas americanas anunciaram o maior número de demissões para um mês de janeiro desde 2009, lá no fundo do poço da crise financeira.
Foram 108.435 cortes de empregos anunciados no mês passado, um salto de 118% em relação a janeiro do ano anterior. E não foi só a porta de saída que ficou mais movimentada: a intenção de contratação também perdeu fôlego, caindo 13% na comparação anual, para apenas 5.306 vagas, o pior janeiro dos últimos 17 anos no levantamento da consultoria.
Essas decisões foram tomadas no fim de 2025 e mostram que os empregadores estão pouco confiantes com 2026.
O copo meio cheio: quase metade dos cortes foi de apenas três empresas.
IPCA sobe: mais efeito-base do que problema real
O IPCA de janeiro subiu 0,33%, um tiquinho acima do consenso.
A inflação em 12 meses passou de 4,26% para 4,44%, mas calma: esse aumento tem mais cara de truque contábil do que de problema real. O vilão (ou protagonista) aqui é o efeito-base. Em janeiro de 2025, rolou o famoso Bônus de Itaipu, aquele descontão na conta de luz que derrubou artificialmente a inflação do mês. Como o bônus não voltou em 2026, a comparação ficou ingrata… e a taxa em 12 meses subiu mesmo com um IPCA mensal bem-comportado.
Onde foi as surpresas (boa e ruim)
Do lado positivo, tivemos quedas maiores que o esperado em energia elétrica e transporte por aplicativo, provavelmente ligadas ao vai-e-vem do PIS/Cofins.
Do lado negativo, a gasolina (com ICMS mais salgado) e bens industrializados, especialmente carros novos e perfumes.
Ainda assim, o retrato geral de janeiro reforça a ideia de curto prazo tranquilo e mantém viva a aposta de corte de 0,50 p.p. na Selic já em março.
Serviços: desacelerando, mas sem relaxar demais
A inflação de serviços subjacentes avançou 0,57%, um pouco acima do esperado. Nos serviços mais ligados ao mercado de trabalho, a alta foi de 0,63%, abaixo do previsto, e o ritmo anualizado desacelerou de 7,8% para 7,2%. É mais um sinal de moderação gradual.
Vale lembrar: serviços são o termômetro mais importante da inflação futura. Preço de cabeleireiro, médico e cinema costuma dizer mais sobre o amanhã do que parece, porque reflete salários e demanda, e não clima ou safra.
Bens industrializados: cara de ressaca
Os bens industrializados subiram 0,61%, puxados por duráveis como automóveis, além de itens de higiene pessoal e celulares. O ritmo anualizado acelerou, mas nada fora do roteiro típico de começo de ano.
E a Selic?
O conjunto da obra reforça que a inflação se encontra sob controle, e assim sem mudanças no plano de voo do Copom. O início dos cortes deve ser em março, e podemos ver cinco ciclo de reduções de 0,50 p.p., levando a Selic a 12,50%. Pra quem gosta de comparar bolhas:
No dia de hoje (ou ontem) nos mercados…
Hoje, mas em 2009: o Departamento do Tesouro dos EUA apresentava o “testes de estresse” para os bancos, com o objetivo de restaurar a confiança no sistema financeiro.
Hoje, mas em 1938, nascia a Fannie Mae, como Associação Nacional de Hipotecas de Washington. Sua missão na teoria: comprar e vender hipotecas residenciais seguradas pela Administração Federal de Habitação (FHA). Na prática a motivação era a criação de um mercado líquido para dívidas hipotecárias visando incentivar os credores a continuarem concedendo empréstimos imobiliários….
Aspas
“O bitcoin não tem funcionado como uma proteção contra o dólar; em vez disso, é apenas um instrumento especulativo correlacionado à Nasdaq”
Richard Farr, estrategista-chefe da Pivotus Partners
Memes:
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