Fala pessoal, bora pro pregão?
Bateu um déjà vu na leitura do comunicado do Copom? Não é impressão sua. O texto saiu quase idêntico ao da reunião passada: mesma cautela, mesma porta entreaberta pra novos cortes. A Selic caiu 0,25 p.p., pra 13,75%, de forma unânime e sem surpreender ninguém que acompanha o mercado. Ou seja: o corte era o de menos… o interessante mora no que não mudou.
Comece pelo cenário externo, que ficou palavra por palavra igual. Com o petróleo em alta e os juros subindo nos países desenvolvidos, manter a leitura lá de fora intacta soa dovish. O Copom teve a chance de parecer mais preocupado e escolheu não puxar esse fio.
No campo doméstico, os ajustes foram cirúrgicos: entraram os dados de inflação mais fracos e, principalmente, uma economia visivelmente menos aquecida. O que segue tirando o sono do Comitê são as expectativas, e ele repetiu que monitora de perto a desancoragem para os prazos mais longos.
É nas projeções, porém, que o recado real fica escondido. A inflação cheia para o horizonte relevante (hoje, o primeiro trimestre de 2028) ficou em 3,2%, exatamente onde estava. Mas por baixo do capô os números se mexeram:
Preços livres: projeção subiu de 3,1% para 3,2%;
Preços administrados: caiu de 3,5% para 3,2%;
Inflação cheia: ficou exatamente em 3,2%.
→ Segurar a inflação cheia no mesmo patamar, mesmo com essa dança por dentro, funciona como ferramenta de comunicação, e, no fim, joga a favor do lado mais brando.
Minha leitura continua a mesma: a desaceleração deve ficar cada vez mais evidente nos próximos meses,
E os riscos não tiraram férias… os choques externos (petróleo, El Niño e companhia) ganharam corpo, e o cenário fiscal continua uma incógnita. Essa foi a última decisão de política monetária antes das eleições presidenciais.
Daqui pra frente, o jogo dos juros passa a ser disputado com a política inteira em campo!
A Bolsa é um jogo de poucos vencedores
Em 100 anos de mercado, uma parcela minúscula das empresas carregou praticamente todo mundo nas costas.
Quando olhamos para a Bolsa ao longo de um século, parece natural imaginar que milhares de empresas contribuíram um pouquinho para construir a riqueza dos investidores. Só que os dados mostram quase o contrário: mais de 96% das ações negociadas não conseguiram sequer superar o retorno médio dos títulos do Tesouro americano de curtíssimo prazo.
Ou seja: durante longos períodos, a maioria esmagadora do mercado, na prática, rendeu menos do que não correr risco nenhum.
O dado vem da atualização mais recente de um estudo do professor Hendrik Bessembinder, da Arizona State, que desde 1926 rastreia quais ações de fato criaram riqueza. A conclusão de sempre, agora com cem anos de dados: quase todo o lucro do mercado saiu de um punhado minúsculo de empresas. E o dado mais impressionante não é apenas que poucos vencedores carregam o índice… é que essa concentração está aumentando.
Hoje, dos US$ 91 trilhões em riqueza criada desde 1926:
Apple: 5,5% de tudo, US$ 5,0 trilhões
Nvidia: 5,0%, US$ 4,6 trilhões
Microsoft: 4,4%, US$ 4,0 trilhões
Alphabet: US$ 3,6 trilhões.
Amazon: US$ 2,3 trilhões.
Repare na Nvidia, que nem existia em bolsa antes de 1999 e já cola no calcanhar da Apple. Tech tomou conta: das dez primeiras do século, só Exxon Mobil e Walmart não são empresas de tecnologia.
O assustador não é nem a concentração em si.. é a velocidade dela.
→ Em 2016, precisava juntar cinco empresas pra chegar a 10% de toda a riqueza do mercado. Hoje, bastam duas: Apple e Nvidia. As dez maiores respondem por 29% do século inteiro, contra 17% na versão anterior do estudo. Ou seja, os vencedores estão ficando ainda maiores.
Tesla, por exemplo, nem aparecia entre as maiores criadoras de riqueza na versão do estudo de nove anos atrás. Hoje ocupa a 9ª posição de todo o século, tendo criado cerca de US$ 1,3 trilhão para acionistas. A SpaceX abriu capital em junho valendo mais de US$ 2 trilhões, furou o top 30 em poucos dias… e devolveu o crachá quando a ação caiu
O outro lado da moeda são milhares de empresas que simplesmente desapareceram, foram compradas ou entregaram retornos medíocres. E mesmo os grandes vencedores exigiram estômago: comprar Apple ou Nvidia no início não bastava… também era preciso continuar segurando enquanto as ações enfrentavam quedas violentas pelo caminho.
Essa concentração ajuda a explicar por que diversificação importa tanto. Ao comprar o mercado inteiro, o investidor não precisa adivinhar quem será a próxima Nvidia…basta garantir que, quando ela aparecer, estará dentro da carteira.
Porque a Bolsa pode até ter milhares de ações…
Mas, olhando para os últimos 100 anos, quase toda a festa foi paga por pouquíssimas delas.
Os donos da bolha pedem pra frear
Quatro gigantes de IA já valem cerca de 17% do S&P 500 — e seus próprios chefes acabaram de pedir pra desacelerar.
A maior aposta de Wall Street tinha um mantra: mais rápido. Todo o trade de IA, seja chip, data center, energia, foi montado sobre a premissa de que o progresso só acelera. Mas neste fim de semana, quem melhor conhece a corrida pediu pra pisar no freio. E, na segunda, a bolsa teve que reprecificar na marra quem sobrevive a um frontier mais lento.
Nem todo mundo comprou o roteiro de fim do mundo. Jensen Huang, da Nvidia, que vende as pás dessa corrida do ouro, chamou o alarme de jogada comercial. Trump, claro, rejeitou a freada, com medo de entregar a liderança pra China (”quem vencer a IA, vence”). E a própria China descartou a ideia, dizendo que alarmismo só atrapalha a governança global.
Por que a bolsa se importou tanto? Porque a IA deixou de ser ChatGPT e virou um ecossistema de semicondutor, infraestrutura e energia. E a concentração assusta.
→ Quatro dos maiores gastadores de IA já valem cerca de 17% do S&P 500, e os maiores hyperscalers devem responder por mais da metade de todo o capex do índice até 2028.
O mercado, ao abrir ontem, separou o joio do trigo na hora:
Perdedores: quem depende da expansão da IA apanhou. O índice de semicondutores caiu 5,86%, com Nvidia, AMD e Micron no vermelho.
Ganhadores: quem era ameaçado pela IA veloz respirou. Softwares como ServiceNow, Adobe e Salesforce subiram, junto de nomes de cybersegurança como CrowdStrike e Palo Alto e até Alphabet, Microsoft e Meta, na aposta de que um ritmo mais lento dá tempo pros modelos atrasados correrem atrás.
No fundo, o trade inteiro repousava numa frase: “o progresso não para de acelerar”. O fim de semana botou um ponto de interrogação gigante bem em cima dela. Agora o investidor encara a pergunta que ninguém queria fazer: e se a corrida desacelerar antes do gasto parar? Porque o dinheiro dos data centers já foi comprometido… frear o modelo é fácil, e frear a fatura?
No dia de hoje (ou ontem) nos mercados…
Hoje, mas em 1997: o domínio google.com era registrado. Os programadores da Universidade de Stanford responsáveis pelo mecanismo de busca, Larry Page e Sergey Brin, inicialmente chamaram seu projeto de Backrub antes de renomeá-lo para Google… um trocadilho com googol, que significa um seguido de 100 zeros.
Hoje, mas em 1992: a posição vendida gigantesca de US$ 10 bilhões do Quantum Fund de George Soros, contra a libra esterlina, forçou o Reino Unido a se retirar do Mecanismo Europeu de Taxas de Câmbio e gerou um lucro de cerca de US$ 1 bilhão em um único dia
Aspas
“You're smart.. but imagine if you were consistent.. ”
Memes:
Quer saber como investir e preparar sua carteira para ser resiliente a vários cenários? Vamos conversar sobre como posicionar sua carteira!
Quando as turbulências do mercado e as notícias não param de surgir, o Expresso Financeiro te ajuda a filtrar o ruído e insights para ajudar você na vida financeira!








