Copom decide não decidir nada
+Trump Media e Bill Ackman
Fala pessoal, bora pro pregão?
Trump Media perdeu US$ 238 milhões no trimestre… e escondeu isso até da própria rede social
Tem notícia boa e notícia que você prefere deixar morrer no silêncio. A Trump Media, empresa por trás do Truth Social, escolheu a segunda opção: divulgou o balanço do segundo trimestre sem soltar uma linha sobre isso na própria rede social… Por que será?
A receita, isolada, até que anima: US$ 1,7 milhão, puxada por anúncios no Truth Social, quase dobrando os US$ 900 mil do mesmo trimestre do ano passado. O problema é o resto da conta:
Prejuízo líquido de US$ 238,1 milhões, mais de 10x o prejuízo de US$ 20 milhões do trimestre anterior
Despesas operacionais subindo cerca de 275% na comparação anual
A ação, sem surpresa, afundou 5,11% no dia, e já acumula queda de mais de 32% em 2026.
O vilão do trimestre tem nome: bitcoin. A empresa admitiu que a “vasta maioria” das perdas veio de “perdas não realizadas em ativos digitais, ativos digitais empenhados e títulos de participação”. Ou seja, apostaram em cripto, e a criptomoeda não colaborou.
Essa dependência de cripto vira problema duplo porque a fusão com a TAE Technologies, empresa de fusão nuclear, foi desenhada justamente para ser paga com os proventos das apostas digitais da Trump Media. Mesmo assim, a diretoria garante que o acordo segue nos trilhos para fechar no quarto trimestre… e que vai gerar retorno para os acionistas.
Enquanto isso, a empresa tenta abrir uma nova frente de receita vendendo acesso à API do Truth Social por algo entre US$ 60 mil e US$ 100 mil por mês, já com mais de 10 contratos firmados, sendo a maioria com firmas de high-frequency trading.
Resta esperar que essa aposta dê um resultado melhor que o Trump Phone!
Copom decide não decidir nada
Se tem um esporte que o Banco Central manja bem, é o de falar sem dizer nada. A ata do último Copom, divulgada nesta manhã, reforça que é preciso “manter a restrição adequada”, só que sem fechar a porta para novos cortes de juros.
Ata do cupom pode ser lida assim: pode ser que sim, pode ser que não, pode ser que não sei.
O motivo da cautela extra é o coro de choques de oferta rondando a economia global: Energia; Inteligência artificial; El Niño. Some isso à guerra no Oriente Médio ainda sem desfecho e às dúvidas sobre o rumo dos juros em economias avançadas, e dá pra entender por que o Comitê prefere não se comprometer com nada além de “vamos ver”.
No front doméstico, a atividade já mostra sinais de fadiga, com desaceleração “disseminada” entre oferta e demanda do primeiro para o segundo trimestre, ainda que a economia siga resiliente (a palavra favorita do Banco Central para dizer “desacelerando, mas sem drama”). O mercado de trabalho segue apertado, com desemprego em mínimas históricas, mas os salários já perderam um pouco de fôlego, mesmo crescendo acima da produtividade.
E a inflação segue de fora da meta de 3%, com as expectativas mais desancoradas do que o Copom gostaria ( o que é um pesadelo para o comitê).
→ Na prática, o cenário oficial projeta Selic em 14,00% no fim deste ano e 11,50% em 2027, mas o próprio texto deixa claro que uma pausa pode virar continuação do ciclo de cortes se os dados de atividade e inflação surpreenderem para baixo mais rápido do que o esperado.
Ou seja: por enquanto, quem está de olho na Selic vai ter que continuar de olho e o Copom decidiu, oficialmente, deixar a decisão para depois!
Pershing Square nunca teve uma saída indesejada entre 48 funcionários
Sabe aquela galera que troca de emprego a cada dois anos por um aumento de 10%? Pois na Pershing Square, o fundo de US$ 35 bilhões de Bill Ackman, esse hábito simplesmente não existe. Entre os 48 funcionários da casa, o placar de “saídas indesejadas” está zerado. Qual a receita para isso?
O primeiro ingrediente é dinheiro, mas não do jeito óbvio. Não foi salário alto… foi prender via sociedade.
“Não existe uma pessoa na Pershing Square que não seja dona de vários milhões de dólares em ações da empresa, seja limpando o espaço, na recepção ou em qualquer outra função”, disse Ackman ao podcast Titans and Disruptors of Industry, da Fortune.
O segundo ingrediente é liberdade.. mas dentro de um limite bem definido. Cinco dias por semana no escritório… menos em julho e agosto, quando a regra vira sugestão e o time de investimentos se muda inteiro pros Hamptons, cada um na casa que aluga ou já tem por lá.
Essa receita não nasceu do nada. Ackman fundou a Gotham Partners em 1992, ainda saindo de Harvard, mas o negócio afundou depois de apostas malsucedidas em empresas privadas. A lição não foi perdida: em 2004 ele lançou a Pershing Square, hoje dona de posições em nomes como Chipotle, Universal Music Group e J.C. Penney.
Enquanto todo mundo briga por retenção com bônus e home office flexível, o Ackman prendeu o pessoal dando parte da empresa e fazendo todos os funcionários milionários.
No dia de hoje (ou ontem) nos mercados…
Hoje, mas em 1920: Charles Ponzi era preso por fraude financeira em Boston após arrecadar mais de US$ 6 milhões de milhares de investidores. Ele reembolsava cada US$ 1.000 investidos com US$ 1.500 apenas 90 dias depois, mas somente captando mais dinheiro de novos investidores ou, como um juiz posteriormente descreveu, “tirar de Pedro para dar a Paulo”. Esses esquemas em pirâmide ficaram conhecidos como “esquemas de Ponzi”
Ontem, mas em 2007: o FED injetava US$ 38 bilhões em reservas temporárias no sistema bancário dos EUA em três operações distintas, em uma resposta emergencial ao congelamento de liquidez desencadeado um dia antes pela suspensão dos resgates de três fundos expostos a ativos subprime pelo BNP Paribas.
Aspas
“We trade time for money and power, then discover that what we wanted all along was time”
Memes:
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