CDX: o mercado de bonds está gritando
+ as contradições do Ouro
Fala pessoal, bora pro pregão?
O ouro resolveu fazer greve… bem no meio da crise
A guerra no Oriente Médio já está quase completando um mês… cenário clássico para o ouro brilhar. Mas, em vez disso, o metal precioso resolveu ir na direção oposta e, curiosamente, entrou em bear market.
Explicação, simplista, do movimento:
O conflito com o Irã empurrou o petróleo acima de US$ 100
Petróleo caro reacende o medo de inflação
Inflação mais alta diminui as chances de corte de juros pelo Federal Reserve
Juros reais mais altos tornam o ouro menos atraente
Ou seja, o problema não é que o risco geopolítico sumiu… é que a inflação deu as caras de novo e bagunçou o jogo.
O mercado agora está menos preocupado com guerra e mais com o fato de que o Fed pode continuar “hawk” por mais tempo. E, nesse cenário, o ouro perde um pouco do seu charme.
Dito isso, vale lembrar: o ouro vem de uma sequência absurda. Subiu cerca de 64% em 2025 e mais 27% em 2024. Mesmo sendo um ativo meio “old school”, o ouro virou tendência.
Os bancos continuam otimistas com o metal dourda: Wells Fargo, JPMorgan e Bank of America ainda projetam preços acima de US$ 6.000 até o fim do ano, algo como 40% de alta frente aos níveis atuais.
→ O que poderia mudar o jogo rapidamente? Paz. Um cessar-fogo mais duradouro ou um acordo que derrube o preço do petróleo mudaria completamente o cenário.
Por enquanto, o ouro está vivendo uma ironia clássica de mercado… a mesma crise que normalmente faria ele disparar… está segurando ele no chão.
CDX: o mercado de bonds está cochichando gritando
A maioria dos investidores fica de olho apenas nos índices: S&P 500, Nasdaq, Ibov... mas quem costuma dar os avisos mais importantes é o mercado de crédito. Ele é mais sério, menos barulhento… e geralmente mais honesto.
→ CDX: é um índice que mede o custo de se proteger contra calotes via CDS. Ele acabou de bater máxima de nove meses, enquanto o S&P 500 segue ainda próximo do topo histórico. Parece um casal em que um quer festa e o outro já está olhando o relógio pra ir embora.
O problema? Nos últimos 20 anos, toda vez que essa combinação apareceu, o final não foi muito feliz para as ações. Sem exceção.
Antes de entrar em pânico, vale entender o básico: credit spread é, essencialmente, o “prêmio de risco” que investidores exigem para emprestar dinheiro para empresas em vez de comprar títulos do governo americano. Quando esse prêmio sobe, é porque o mercado está ficando mais desconfiado.
Crédito é o combustível da economia. Empresas pegam dinheiro emprestado para crescer, consumidores para gastar. Quando esse dinheiro fica mais caro (ou mais difícil de conseguir) o motor começa a falhar.
O indicador mais direto disso é o spread entre títulos “junk” (alto risco) e US Treasuries. Quando esse spread está apertado, todo mundo está confiante. Quando começa a abrir… run to the hills.
Desde 2007, sempre que os spreads subiram para máximas de nove meses enquanto a bolsa ainda estava perto do topo, o filme foi parecido:
2007 → crise financeira global
2015 → correção + volatilidade
2022 → queda forte com pivot do FED e alta de juros
2026 → ???
Um ponto importante: não é o nível absoluto que importa, mas a direção. Os spreads não precisam estar em “modo pânico” para acender o alerta. Eles começam a subir antes, então é tipo uma fumaça que o investidor tem que captar.
Enquanto isso, o mercado de ações segue confiante, com valuations esticados e expectativas de lucro lá em cima. É como dirigir olhando só para o velocímetro e ignorar a luz do motor piscando.
Por que isso importa tanto? Porque quando o crédito aperta, várias coisas acontecem ao mesmo tempo:
Liquidez some (todo mundo corre para segurança)
Empresas mais endividadas sofrem primeiro
Lucros começam a ser revisados para baixo
A volatilidade dá as caras
E o que fazer com isso?
Calma, não é hora de vender tudo e ir morar no CDI. Mas também não é hora de fingir que nada está acontecendo. O jogo aqui é ajuste fino…
Rebalancear a carteira (se ações subiram demais, reduzir um pouco)
Apertar stops (menos espaço para erro)
Evitar empresas muito alavancadas
Construir um pouco de caixa (flexibilidade nunca é demais)
Preferir renda fixa de melhor qualidade
Testar como sua carteira se comportaria em cenários ruins
E, principalmente, continuar acompanhando os spreads
Se os spreads continuarem abrindo, o alerta aumenta. Se fecharem de novo, o susto pode ter sido só um “alarme falso”.
No fim, não existe garantia de que 2026 vai repetir 2008, 2015 ou 2022. Mercado adora surpreender. Mas quando o mercado de crédito levanta a mão… vale a pena pelo menos prestar atenção.
Os cargos mais expostos à IA
No incrível mundo Generative Artificial Intelligence, o mercado de trabalho está passando por um curioso rearranjo: algumas funções começam a desaparecer silenciosamente, enquanto outras ganham superpoderes digitais.
Uma pesquisa liderada por Suraj Srinivasan, professor da Harvard, mostra que desde o lançamento do ChatGPT as vagas ligadas a tarefas altamente estruturadas e repetitivas caíram cerca de 13%. Faz sentido… se o trabalho parece um roteiro previsível e cheio de Ctrl+C + Ctrl+V, há uma boa chance de que um algoritmo consiga fazer algo parecido.
Sempre digo que não é “Se” e sim “Quando” que o “monkey job” vai ser substituído.
Ao mesmo tempo, aconteceu o movimento oposto em um outro lado do mercado. A demanda por empregos que envolvem análise, técnica ou criatividade cresceu aproximadamente 20%. Em vez de substituir humanos, a IA está começando a funcionar como um colega de trabalho hiperprodutivo, daqueles que lê mil relatórios em segundos, mas ainda precisa de alguém para decidir o que realmente importa.
→ Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores usaram o próprio ChatGPT para analisar anúncios de emprego publicados nos EUA entre 2019 e março de 2025. No total, foram mais de 19 mil tarefas associadas a cerca de 900 profissões diferentes.
O padrão que apareceu é interessante: os empregos mais “turbinados” pela IA são justamente aqueles em que uma parte do trabalho pode ser automatizada, mas a parte decisiva continua exigindo cérebro humano.
Estamos falando de funções que misturam análise complexa, julgamento, interação social e habilidades técnicas aplicadas. Entre os exemplos citados pelo estudo aparecem profissões como microbiologistas, analistas financeiros e neuropsicólogos clínicos.
Esse tipo de interação sugere que a IA está se tornando algo como uma camada extra de cognição (um copiloto intelectual) em vez de um substituto direto para profissionais especializados.
O resultado é que as profissões começam a ser redesenhadas por dentro. Em vez de humanos trabalhando sozinhos, o novo modelo parece cada vez mais um time híbrido, onde pessoas e agentes de IA colaboram no mesmo fluxo de trabalho.
Se isso vai criar mais empregos do que destruir, ou o impacto na evolução humana ainda são perguntas que ficam em aberto… e talvez por um certo tempo.
No dia de hoje (ou ontem) nos mercados…
Ontem, mas em 2020: O índice S&P 500 atingia sua mínima durante a pandemia, caindo 34% em relação ao pico de fevereiro em apenas 33 dias, marcando o bear market mais rápido da história.
Ontem, mas 1999, o índice Dow Jones ultrapassava a marca de 10.000 pontos pela primeira vez na história.
Aspas
“.Esse país não vive mais um ano com os juros do jeito que estão. Não vive. É gravíssimo o que a gente está vivendo.
Caito Maia, CEO da Chilli Beans
Memes:
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