Back to 90s?
+Ata do Copom + PCE americano
Fala pessoal, bora pro pregão?
Há quem ache que os anos 90 tenham ficado só nos tamagotchis e nos CDs…
O espírito das empresas estrelas na era da internet discada parece estar de volta. Empresas como Intel, Dell e Cisco, estão novamente brilhando no mercado, renovando recordes que estavam intocados desde o auge da bolha em 2000.
Intel: simplesmente dobrou de valor em abril… no seu melhor mês desde 1972!
Micron Technology: subiu mais de 50% no mês, repetindo um desempenho que não se via desde o pré-estouro da bolha .com.
Western Digital e a SanDisk: aquelas que você associava a HD externo e cartão de memória, agora estão no coração dos data centers de inteligência artificial.
E esse é o ponto-chave: essas empresas não são mais as mesmas. A Dell deixou de ser só fabricante de PCs e virou uma potência em servidores e infraestrutura para IA. A Intel se reinventou como fabricante sob demanda (foundry), pronta para atender a demanda crescente por chips.
Tudo isso está sendo alimentado por um tsunami de investimento em tecnologia. O gasto com TI como proporção do PIB americano já ultrapassou o pico da bolha pontocom. Estamos, literalmente, no maior ciclo de investimento em tecnologia da história recente:
O BC cortou juros… mas fez questão de avisar que a festa está longe de começar
A ata do Copom divulgada ontem foi naquele clássico: “um passo pra frente, mas olhando nervosamente pelo retrovisor”. O BC reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 14,5%, mas o tom do documento deixou claro que ninguém dentro da instituição está exatamente confortável com a inflação.
De um lado: a guerra no Oriente Médio continua empurrando o petróleo para cima e contaminando preços de combustíveis.
Do outro: a economia brasileira segue surpreendentemente resistente, mesmo depois de um longo período de juros estratosféricos.
A grande preocupação dos diretores parece ser o que o mercado chama de “desancoragem das expectativas”, que é basicamente quando todo mundo começa a acreditar que a inflação ficará alta por muito tempo. E, segundo a ata, isso já está ficando mais evidente nos horizontes mais longos, especialmente para 2028.
Ou seja, o mercado não está totalmente convencido de que o BC conseguirá trazer a inflação de volta para a meta de 3%. O documento também reforçou que o BC continua em modo vigilância máxima contra os chamados “efeitos de segunda ordem” do petróleo. Porque uma coisa é gasolina subir por causa de guerra… outra bem diferente é esse aumento começar a contaminar salários, serviços, alimentos e o resto da economia. É exatamente esse efeito cascata que tira o sono dos banqueiros centrais.
Ao mesmo tempo, o BC reconhece que a atividade econômica começou a desacelerar em alguns setores mais dependentes de crédito. Só que a desaceleração está longe de ser uniforme. Enquanto áreas sensíveis a juros mostram algum cansaço, setores ligados à renda e ao consumo seguem bastante resilientes.
Os números recentes reforçam esse cenário meio contraditório. Produção industrial acima do esperado, mercado de trabalho aquecido e atividade econômica surpreendendo para cima convivem com inflação ainda rodando acima da meta e expectativas deteriorando semana após semana.
Hoje, o mercado já projeta IPCA de quase 5% para o fim de 2026, bem distante do centro da meta. O próprio BC admite que a inflação deve acelerar para 4,6% este ano antes de desacelerar gradualmente.
Resumindo: o ciclo de cortes começou, mas ninguém deve esperar um cortes drásticos tão cedo. O BC até tirou o pé do freio… mas continua com a mão firmemente puxada no freio de mão.
Inflação sobe, gasolina dispara e o Fed… assiste de camarote (por enquanto)
Todo mundo já esperava: guerra no Irã → petróleo mais caro → inflação mais alta.
O que ninguém sabia era o tamanho do estrago… até sair o PCE de março
O índice favorito do FED foi quente: inflação de 3,5% em 12 meses, o maior nível desde 2023, e bem acima dos 2,8% de fevereiro. O núcleo (sem comida e energia) também resolveu subir, indo para 3,2%.
E, provavelmente, ainda não vimos o pior. A gasolina nos EUA já está na casa dos US$ 4,30 por galão, bem acima do nível pré-guerra. Se o conflito continuar, o efeito dominó me parece muito claro: energia sobe → custos sobem → preços sobem → inflação continua subindo.
Matemática e Lógica na sua forma mais pura.
Enquanto isso, o Fed segue observando, mas a chegada de Kevin Warsh, que o mercado já associa a um perfil mais inclinado a cortar juros, pode mexer nas projeções.
O outro lado do mandato do Fed, emprego, segue surpreendentemente forte. Os pedidos de seguro-desemprego caíram para o menor nível desde 1969. O mercado de trabalho continua firme, o que tira a urgência de estímulos. Dados do ADP de hoje mostraram 109 mil novos empregos em abril, o maior aumento em 15 meses, dando mais um sinal que o mercado de trabalho americana está estável.
Dilema atual: inflação subindo por causa de um choque externo (energia) enquanto a economia doméstica segue resiliente. Cortar juros pode ser cedo demais… mas ignorar a inflação também não é opção. O jogo é de timing… e, nesse cenário, errar por antecipação ou atraso pode custar caro.
Falando em FED..
Agora, foi a vez de Jerome Powell dar seu “tchau, pessoal” na última coletiva como presidente do Federal Reserve. Mas, apesar de deixar o comando, ele continua no banco central como diretor. Vai ser o primeiro desde 1948 a fazer esse movimento.
No dia de hoje (ou ontem) nos mercados…
Hoje, mas em 1893: a National Cordage Company, a ação que era a mais negociada na Bolsa de Valores de Nova York na época, declarou falência após uma tentativa fracassada de monopolizar o mercado de Hemp. O colapso desencadeou o Pânico de 1893, a pior crise econômica dos EUA até 1929.
Aspas
The people who show up for you when you need them are never the ones you tried to impress.
They’re the people you helped when there was nothing in it for you.
Memes:
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