Fala pessoal, bora pro pregão?
B3 confirma exclusão de OIBR3 e OIBR4 após decretação de falência da operadora
Aquela ação da Oi que muita gente ainda carrega na carteira, seja por teimosia ou esperança, ganhou um novo capítulo: a B3 informou que vai deslistar OIBR3 e OIBR4 da bolsa, por conta da falência decretada da companhia no mês passado. Na prática, o papel sai do ambiente de negociação da B3 e migra pros registros do Banco do Brasil, que já atua como escriturador da empresa.
Aqui mora a parte estranha da história: sair da bolsa não é a mesma coisa que deixar de existir. A Oi fez questão de esclarecer que a deslistagem não cancela as ações automaticamente, nem as transforma em crédito contra a massa falida. Enquanto a personalidade jurídica da empresa sobreviver, o acionista continua no quadro societário… só que sem lugar nenhum pra negociar essa posição.
E tem outro detalhe que costuma passar batido: mesmo sem bolsa, a Oi segue registrada como companhia aberta na CVM. Ou seja, a empresa perde a vitrine, mas não perde as obrigações regulatórias que vêm com o status.
Pra quem acompanha a saga da Oi, o desfecho não chega chocando ninguém. São +10 anos de recuperação judicial, renegociação de dívida e reestruturação que terminaram exatamente no lugar que a companhia vinha tentando evitar desde a década passada: a falência.
No fim, sobra a pergunta que ninguém gosta de responder: o que fazer com um papel que tecnicamente ainda existe, mas que não tem mais onde ser vendido, nem valor real por trás? Pra boa parte dos acionistas da Oi, a resposta prática já chegou faz tempo…

A 16ª Emenda e a solução que levou meio século pra sair
Nos primeiros 130 anos do país, quase toda a receita federal vinha de importação, hoje um item secundário no orçamento. Trump tenta reviver esse modelo mais de um século depois de os EUA terem migrado dele.
Enquanto Trump tenta reviver as tarifas como pilar de arrecadação dos EUA, vale lembrar que o país já viveu disso, e trocou de modelo há mais de um século. Do nascimento da nação até o início dos anos 1900, praticamente toda a receita do governo federal americano vinha de tarifas de importação. Hoje, esse imposto é quase um detalhe no orçamento.
O que aconteceu no meio do caminho é uma historinha de guerra, mudança econômica e um Supremo que bloqueou o projeto por quase 20 anos…
A primeira tentativa começou na marra: a Guerra Civil (1861-1865) explodiu os gastos do governo a um ponto que tarifa nenhuma dava conta de cobrir. O Congresso criou às pressas o 1° imposto de renda federal da história americana, implementado em 1862, e junto dele vieram impostos sobre “luxo” (álcool, tabaco, joias) e o 1° imposto sobre herança.
Funcionou, só que por pouco: acabada a guerra, a opinião pública virou contra o imposto de renda, e o Congresso deixou ele expirar em 1872.
O motivo de o modelo não ter pegado de vez tem menos a ver com ideologia e mais com estrutura econômica.
Em 1860, a maior parte da força de trabalho americana ainda estava no campo, e renda agrícola é osso duro de medir e taxar, bem diferente da renda de fábrica, que é direta e rastreável. Cobrar imposto de renda de um país majoritariamente agrário era, na prática, inviável.
O cenário só mudou quando o próprio mercado de trabalho mudou:
Entre 1890-1913, a fatia da força de trabalho na agricultura caiu de 43% pra 28%
O país passou a debater publicamente, de 1894 a 1913, se a tributação sobre renda seria mais justa que a tributação sobre consumo
Em 1894, o Congresso aprovou um novo imposto de renda (e o 1° imposto sobre renda corporativa) — mas a Suprema Corte barrou a lei, considerando que um “imposto direto” precisava ser dividido proporcionalmente entre os estados
A solução veio só em 1913, com a 16ª Emenda liberando o caminho de vez para o imposto de renda federal. Mesmo assim, a arrecadação continuou baixa até os EUA entrarem na Primeira Guerra Mundial, em 1917. Foi a guerra, de novo, que forçou a virada definitiva e consolidou o imposto de renda como o pilar que sustenta a receita federal americana até hoje.
No fim, a lição é meio óbvia quando você olha de fora: sistema tributário não muda por convicção filosófica, muda quando a estrutura econômica de um país já mudou por baixo dele. Os EUA levaram guerra, debate público e quase meio século de tentativa e erro pra trocar de modelo.

Groenlândia: a geologia virou geopolítica
Ações ligadas à ilha dispararam depois de um novo acordo de segurança com os EUA reacender a corrida por minerais críticos.
Para um lugar coberto quase inteiro por gelo, a Groenlândia teve um dia surpreendentemente verde na Bolsa. Depois do anúncio de um novo acordo de segurança entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia, as ações de empresas ligadas aos recursos naturais da ilha simplesmente decolaram: Greenland Energy subiu 141%, Greenland Mines disparou 230% e Critical Metals avançou 38%.
O acordo prevê uma expansão da presença militar americana no território, mantendo a soberania da Groenlândia dentro do Reino da Dinamarca. Os detalhes finais ainda não foram totalmente divulgados, mas investidores enxergaram uma consequência que não aparece explicitamente no texto: mais influência americana também pode significar mais dinheiro, infraestrutura e apoio para explorar os minerais da ilha.
E aí entra a China…
Terras raras são usadas em praticamente tudo que está no cardápio estratégico do século XXI: inteligência artificial, carros elétricos, smartphones, turbinas eólicas, sistemas militares e caças. O problema é que boa parte dessa cadeia está concentrada em mãos chinesas.
Segundo a Agência Internacional de Energia, a China responde por cerca de 60% da mineração mundial das terras raras usadas em ímãs, mas sua participação sobe para 91% no refino e chega a 94% na produção de ímãs permanentes.
Ou seja: descobrir o mineral é só o primeiro passo. Transformá-lo em algo que Nvidia, Tesla ou o Pentágono possam realmente usar é onde a dependência chinesa fica ainda maior.
É por isso que a Groenlândia chama tanta atenção. A ilha abriga grandes depósitos de terras raras e outros minerais críticos, e algumas empresas já tentam transformar essa geologia em negócio:
Critical Metals controla o projeto Tanbreez, no sul da Groenlândia, considerado um dos grandes depósitos de terras raras em rocha dura;
Greenland Mines desenvolve projetos minerais no território;
Greenland Energy aposta nos recursos energéticos da região.
O problema é que entre encontrar minério e imprimir dinheiro existe uma pequena etapa chamada… construir uma mina.
O mercado está, portanto, comprando uma tese geopolítica: se Washington realmente quiser diminuir sua dependência da China, a Groenlândia pode virar uma peça importante para construir uma cadeia alternativa de minerais críticos.

No dia de hoje (ou ontem) nos mercados…

Hoje, mas em 2008: O FED aprovava a conversão do Goldman Sachs e do Morgan Stanley em holdings bancárias, colocando fim à era dos bancos de investimento americanos puros, 6 dias após o Lehman Brothers ter declarado falência
Hoje, mas em 1931: entrava em vigor a ruptura britânica com o padrão-ouro. O Parlamento aprovou naquele dia a legislação suspendendo a obrigação de converter libras em ouro, em meio à fuga de capital e à pressão sobre as reservas britânicas

Aspas
“ To be successful at anything, the truth is, you do not have to be special.
You just have to be what most people aren not: consistent, determined and willing to work for it. No shortcuts. ”
Tom Brady, the GOAT

Memes:

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