Disney: voltar pra 2019 pode ser o futuro
O IPCA que veio bom, mas não veio limpo
Fala pessoal, bora pro pregão?
Inflação de junho foi mais fraca que o esperado, mas o detalhe por trás do número ainda incomoda o BC.
Os economistas estavam com a calculadora afiada, projetando 0,32% pro IPCA de junho, mas o IBGE chegou e entregou metade disso: 0,16%. Com isso, a inflação em 12 meses recuou de 4,72% pra 4,64%.
A surpresa boa veio principalmente do prato de comida. Alimentação no domicílio caiu 0,39%, quando a expectativa era de alta de 0,30%. Alimentação fora de casa também ajudou a segurar a onda.
Os serviços intensivos em mão de obra (a métrica que o Banco Central acompanha com lupa) subiram 0,55%, praticamente em linha com o esperado. Pior: o indicador de três meses anualizado saltou de 7,19% pra 7,41%, e o acumulado em 12 meses foi de 6,98% pra 7,13%.
Ou seja, o mercado de trabalho aquecido continua empurrando os preços mais “grudentos” da economia pra cima, mesmo com o resto do índice se comportando.
Bens industrializados também mandaram um recado dividido. O grupo subiu só 0,11% no mês (esperava-se 0,22%), mas o núcleo industrial acelerou na métrica de tendência - de 5,61% pra 6,01% no trimestre anualizado. Os preços de higiene pessoal, que tinham disparado quase 2% em maio, moderaram pra 0,34%… um alívio pontual, não necessariamente uma virada de página.
Na média geral dos núcleos a alta foi de 0,21%, abaixo da projeção de 0,33%. A difusão (proporção de itens que subiram de preço) caiu de 65% pra 54%, sinal de que a inflação está menos generalizada.
Só que boa parte dessa melhora veio de alimentos, que são voláteis por natureza… não dá pra comemorar cedo demais, mas sim, números muito bons!
Resultado prático: o dado melhora o humor de curto prazo, mas não muda o quadro de fundo. A inflação cheia deu alívio, os núcleos melhoraram e a difusão ajudou. Só que os pontos mais estruturais ainda seguem pressionados.
→ As projeções seguem em 5,2% para 2026 e 4,2% para 2027.
Um conselho ousado para a Disney: desistir do streaming
Passar anos construindo seu próprio serviço de streaming pareceu, na época, a jogada certa. Só que a Wells Fargo chegou com uma sugestão nada convencional para a Disney: e se a solução fosse simplesmente desistir?
O banco estima que abandonar o negócio de streaming poderia adicionar cerca de 40% ao valor das ações da Disney, ao concentrar a empresa no que ela faz de melhor: propriedade intelectual e experiências. Nos últimos cinco anos, as ações da Disney perderam quase metade do valor, enquanto o S&P 500 subiu mais de 70%. E o streaming é o principal culpado dessa disparidade.
O argumento: a Disney não tem escala para competir de igual para igual com Netflix e o ritmo de lançamentos da empresa pode não ser suficiente para reter assinantes no longo prazo.
A alternativa proposta: em vez de bancar sua própria plataforma, a Disney licenciaria seu catálogo de animações clássicas, Pixar, Marvel, Star Wars, para outros streaming. Nesse cenário, o banco projeta:
Mais de US$ 15 bilhões em receita anual de licenciamento;
Concorrência acirrada entre Apple, Amazon, Netflix, YouTube e Paramount Skydance pelos direitos do conteúdo
Volta de um crescimento forte frente ao patamar pré-2019, quando a empresa ainda não tinha migrado para o streaming próprio
→ O ponto mais provocador da tese: nem bilheteria, nem os parques temáticos, nem o valor da marca sofreriam se o catálogo estivesse espalhado por serviços concorrentes.
Ou seja: a recomendação de Wall Street é que a Disney faça exatamente o oposto do que passou a última década construindo.
PS: a empresa reporta resultados no mês que vem.. vai ser interessante ver se alguém no conselho está lendo esse relatório
Boletim FOCUS
Depois de meses com cara fechada, o Boletim Focus finalmente soltou uma boa notícia: a mediana das projeções de inflação para 2026 caiu de 5,30% para 5,16%. Reflexo direto do IPCA de junho, que veio abaixo do esperado. Só que, como sempre no mercado financeiro, a melhora vem com letras miúdas.
Para 2027, a projeção de inflação até subiu marginalmente, de 4,18% para 4,20%. Já 2028 ficou parado em 3,70%. Traduzindo: o horizonte mais curto melhorou, mas a meta de 3% continua sendo tratada como aquele compromisso que todo mundo promete cumprir “no próximo ano”.
Do lado da atividade econômica, o quadro é de estabilidade com um pé atrás:
PIB de 2026: projeção praticamente parada, em 1,99%
PIB de 2027: revisão para baixo, de 1,69% para 1,65%
PIB de 2028: mantido em 2,00%
A leitura por trás é que a economia ainda deve rodar forte em 2026, puxada por estímulos de renda, mas o ritmo esfria em 2027 quando esses impulsos começam a sumir.
E aqui entra a parte que ninguém gosta de ler: a Selic para 2028 subiu, saindo de 10,25% para 10,50%. Enquanto isso, a Selic de 2026 avançou de 13,75% para 14,00%, e a de 2027 ficou parada em 12,00%. Ou seja, mesmo com a inflação de curto prazo surpreendendo para baixo, o mercado não está comprando a história de juro caindo rápido… a normalização monetária segue de marcha lenta.
→ O câmbio foi a única variável que decidiu ficar de boa: a projeção para 2026 se manteve em R$ 5,20, e para 2027 em R$ 5,28, com o real se beneficiando inclusive dos ganhos comerciais ligados à guerra no Irã. Para 2028, houve só uma redução simbólica, de R$ 5,35 para R$ 5,34.
No fim das contas, o Focus desta semana é aquele tipo de notícia que parece boa até você ler o parágrafo seguinte: inflação recua, mas os juros de longo prazo dizem que ninguém está confiante o suficiente para comemorar!
No dia de hoje (ou ontem) nos mercados…
Hoje, mas em 1852: A Wells, Fargo & Co. iniciava suas atividades em São Francisco e Sacramento. Foi fundada por Henry Wells e William G. Fargo para converter pó de ouro em dinheiro para os mineradores, bem como para transportar e proteger cartas, pepitas de ouro e outros valiosos subprodutos da Corrida do Ouro na Califórnia.
Aspas
“The day you decide you're in charge of what happens to you, there is suddenly opportunity all around you”
Memes:
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