A corrida dos IPOs trilionários
IAs, bem-vindas à bolsa
Fala pessoal, bora pro pregão?
O foguete mais caro da história acabou de pousar na Nasdaq
O IPO da SpaceX é o maior da história… com muita folga. Ela levantou US$ 75 bilhões na oferta, quase o triplo do segundo maior IPO americano já registrado, que era o da Alibaba, em 2014. Foram 555,6 milhões de ações negociadas a US$ 135 cada, todas no Nasdaq, sob o ticker SPCX.
No fechamento do primeiro dia, com alta de 19%, a companhia valia US$ 2,1 trilhões, a sexta maior dos EUA, à frente de Tesla e Berkshire Hathaway.
A demanda foi desproporcional: 4x o volume de ações disponíveis. Varejo queria tanto quanto os institucionais, com os pedidos de pessoa física superaram US$ 70 bilhões, mais que o triplo da alocação reservada para esse público (30% da oferta, bem acima dos habituais 5% a 10%).
→ cerca de 4.400 funcionários e ex-funcionários da SpaceX viraram milionários no mesmo dia.
O problema, ou a aposta, dependendo de como você olha, está no balanço:
A SpaceX fechou 2025 com US$ 18,7 bilhões em receita e prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões.
Desde a fundação, o buraco acumulado passa de US$ 41 bilhões.
O IPO foi precificado a 95x a receita do ano anterior, e fechou o primeiro dia a 112x.
A única parte da empresa que ganha dinheiro de verdade é o Starlink: US$ 11,4 bilhões em receita e US$ 4,4 bilhões de lucro operacional, com 10,3 milhões de assinantes (eram 2,3 milhões em 2023). O negócio de lançamentos, responsável por 90% do mercado global comercial, queimou US$ 657 milhões. A divisão de IA, incorporada via fusão com a xAI de Musk, ainda é deficitária… mas já aluga capacidade computacional para Google e Anthropic.
A lógica da precificação não foi de mercado…foi de Musk. Não houve faixa de preços, não houve negociação com investidores. Pega ou larga.
Agora vem o mais difícil: escalar o Starship (hoje o maior ponto de interrogação do negócio), provar que o braço de IA gera retorno e sustentar o crescimento do Starlink num momento em que a receita por usuário caiu de US$ 99 para US$ 66 por mês.
Musk só recebe seu pacote de remuneração se a SpaceX chegar a US$ 7,5 trilhões de valuation, e construir uma colônia em Marte. Por enquanto, ele está cp, 85% dos votos garantidos pelas ações Classe B.
O foguete saiu do chão. A questão é até onde ele vai.
A corrida dos IPOs trilionários
E as coisas não vão parar na SpaceX: Anthropic e OpenAI também estão se preparando para abrir capital com valuations que beiram ou ultrapassam US$ 1 trilhão cada. Nunca Wall Street recebeu tantas perguntas sobre IPOs quanto no tempo atual. E quando todo mundo quer comprar a mesma coisa ao mesmo tempo, é hora de respirar fundo….
Entre os motivos estão a enxurrada de vendas quando expiram os lock-ups que impedem fundadores, funcionários e VCs de vender suas ações imediatamente após a listagem.
Os casos clássicos confirmam:
Facebook: abriu a US$ 42 em 2012 e caiu mais de 30% nos doze meses seguintes antes de decolar para os 1.400% de retorno acumulado que tem hoje.
Tesla: oscilou por meses após o IPO de 2010 antes de começar a subir, e quem esperou 6 meses pagou menos do que quem comprou no primeiro dia.
CoreWeave é o exemplo mais recente: abriu abaixo do preço do IPO em março de 2025, chegou a subir 400%, mas ainda está 44% abaixo da máxima histórica.
Mas 2026 quer testar essa estatística. Não estamos falando de empresas tentando provar que funcionam. Estamos falando de gigantes que já nasceram gigantes. Esses IPOs devem entrar nos índices quase que automaticamente, atrair uma avalanche de investidores e dominar as conversas de mercado por meses… e você vai ver aquele tio do pavê comentar sobre valuation delas no churrasco de domingo.
→ A última vez que o mercado viu uma corrida de IPOs gigantes em rápida sucessão foi o fim dos anos 1990… e sabemos como terminou.
O boom de IA está puxando bitrilhões, em investimentos, e essas empresas são vistas como protagonistas dessa nova infraestrutura global. O risco… confundir uma boa história com um bom ponto de entrada. A história dos IPOs ensina uma coisa simples: nem sempre o melhor momento para investir é quando todo mundo está olhando.
IPCA de Maio
Na última sexta, o IPCA de maio ficou em 0,58% acima dos 0,53%. Parece uma diferença pequena.. mas se tratando de inflação, essas surpresas nunca ficam baratas, e essa deflagrou uma rodada de revisões que o boletim Focus desta semana capturou com clareza.
A inflação mais alta hoje significa expectativas mais altas amanhã, o que significa Selic mais elevada por mais tempo, o que significa câmbio mais pressionado. Um dominó econômico.
A mediana das expectativas para o IPCA de 2026 foi de 5,11% para 5,30% (estava em 4,92% há apenas quatro semanas). Em um mês, o mercado adicionou quase 0,4 ponto percentual à projeção de inflação do ano. Para 2027, a mediana foi de 4,03% para 4,10%.
O problema, além do número em si, é a direção. A meta do Banco Central é 3%. Com o IPCA projetado em 5,30% para este ano e ainda acima de 4% para o próximo, as expectativas seguem bem distantes do alvo no horizonte relevante para a política monetária.
A consequência direta aparece nas projeções para a Selic. O mercado agora espera:
Fim de 2026: 13,75% (era 13,50%)
Fim de 2027: 12,00% (era 11,50%)
Fim de 2028: 10,25% (era 10,00%)
Na prática, o espaço para cortes encolheu. O ciclo de afrouxamento que o mercado antecipava ficou mais lento e mais distante, porque cortar juros com inflação acima da meta e expectativas desancoradas é o tipo de aposta que o BC não costuma fazer.
O câmbio também acompanhou o movimento, com revisões para cima: dólar projetado em R$ 5,20 no fim de 2026 (antes R$ 5,15) e R$ 5,25 em 2027. Nada dramático, mas consistente com um ambiente onde inflação e juros mais altos pesam sobre o apetite por ativos brasileiros.
O PIB foi na direção oposta no curto prazo: a projeção para 2026 subiu de 1,91% para 1,96%. Para 2027 e 2028, sem alteração relevante.
O mercado vê uma economia que cresce no curto prazo mas paga a conta mais à frente: juros altos por mais tempo comprimem investimento e consumo. O ritmo de crescimento esperado para 2027 e 2028 reflete exatamente isso.
O cenário que emerge do Focus é de uma economia que não freia, mas também não resolve o problema central: inflação acima da meta, expectativas se distanciando e BC sem espaço para afrouxar. As revisões que vieram são o mercado dizendo que o problema é mais difícil do que parecia há um mês.
E a inflação no mundo começa a soltar suas garras:
No dia de hoje (ou ontem) nos mercados…
Hoje, mas em 1933, o Congresso americano aprovava a Resolução Conjunta da Câmara nº 192, anulando as cláusulas de lastro em ouro em contratos privados e, efetivamente, pondo fim ao padrão-ouro para dívida interna.
Ontem, mas em 1962: o presidente John F. Kennedy dizia “meu pai sempre me disse que todos os homens de negócios são uns filhos da p…”. O DJI sofria sua pior queda em um único dia desde a crise de 1929. O índice caiu 5,7%.
Aspas
“I read once that the true mark of a pro — at anything — is that he understands, loves, and is good at even the drudgery of his profession”
Paul Halmos
Memes:
Quer saber como investir e preparar sua carteira para ser resiliente a vários cenários? Vamos conversar sobre como posicionar sua carteira!
Quando as turbulências do mercado e as notícias não param de surgir, o Expresso Financeiro te ajuda a filtrar o ruído e insights para ajudar você na vida financeira!











